Coalizão global Carbon Measures, incluindo empresas como Exxon Mobil e ADNOC, cria comitê independente para estabelecer quadro de contabilidade de carbono.
África poderia gerar até 1,5 gigatoneladas de CO₂ por ano até 2050 através de seus projetos de sequestro e compensação de carbono.
O mercado de carbono ainda precisa provar sua confiabilidade ambiental. A prioridade é garantir que cada crédito represente uma redução de emissão real, mensurável e durável. Para isso, mecanismos de verificação independentes são essenciais.
Carbon Measures, uma coalizão global de 19 empresas, incluindo várias do setor de energia como Exxon Mobil e ADNOC, anunciou a criação de um painel de especialistas independentes para desenvolver um quadro global de contabilidade de carbono. Essa iniciativa reúne, além do setor energético, atores da indústria e dos serviços financeiros.
Segundo informações divulgadas na segunda-feira, 27 de outubro, pela imprensa internacional, o grupo pretende construir um sistema unificado de medição e divulgação das emissões de gases de efeito estufa (GEE) para "alinhar as práticas de relatório de carbono" e evitar a duplicidade na contabilização das reduções de emissões. Esse dispositivo, inspirado nas normas contábeis internacionais, visa permitir, segundo a Carbon Measures, que empresas e estados tenham um registro comum para registrar e comparar seu desempenho climático.
O painel será co-presidido por Amy Brachio, ex-vice-presidente de desenvolvimento sustentável da consultoria internacional Ernst & Young (EY), e Karthik Ramanna, professor da Universidade de Oxford. Vai reunir especialistas do mundo acadêmico, da sociedade civil e do setor industrial para definir os métodos de cálculo, auditoria e publicação das emissões, conforme detalhes divulgados pela coalizão.
África no centro das questões do mercado de carbono
Este desenvolvimento ocorre enquanto a África consolidada a sua presença nos mercados voluntários de carbono. De acordo com dados da Africa Carbon Markets Initiative (ACMI) publicados em 2023, o continente poderia gerar 300 milhões de toneladas equivalentes de CO₂ por ano até 2030 e 1,5 gigatoneladas até 2050 através de seus projetos de sequestro e compensação de carbono.
O Fórum Econômico Mundial (WEF) estima que os ecossistemas naturais africanos possam absorver até 600 milhões de toneladas de CO₂ por ano. No entanto, o continente representa apenas 11% dos créditos de carbono emitidos entre 2016 e 2021, dos quais apenas 3% estão relacionados aos seus sumidouros naturais.
Para o PNUD e a Climate Policy Initiative, o acesso da África aos financiamentos climáticos depende da credibilidade e rastreabilidade das reduções de emissões declaradas. Nesse sentido, a implementação de uma contabilidade de carbono padronizada mundialmente é vista como uma alavanca para fortalecer a confiança dos doadores e a integração dos projetos africanos nos mecanismos internacionais de financiamento climático.
Abdel-Latif Boureima












