A empresa petrolífera russa Lukoil anuncia a venda de todos os seus ativos fora da Rússia, em resposta às medidas restritivas de diversos países ocidentais.
O anúncio inclui a venda de um portfólio de projetos de energia em diversos continentes, com várias propriedades petrolíferas na África.
Até o momento, a Lukoil vinha conduzindo suas operações na África dentro do regime de sanções ocidentais impostas às empresas russas desde 2022, especialmente no Congo, onde o grupo expressou seu desejo de ampliar sua presença na indústria de petróleo e gás.
Na segunda-feira, 27 de outubro, a companhia de petróleo russa Lukoil anunciou o início de um processo de venda de todos os seus ativos fora da Rússia. A empresa citou as "medidas restritivas" impostas por vários países ocidentais que estão impactando a gestão de suas operações no exterior.
Essa decisão envolve um portfólio de projetos de energia em vários continentes, incluindo vários ativos de petróleo na África. A Lukoil possui participações em vários blocos de exploração e produção. Na Nigéria, a empresa russa controla 20% do bloco OPL 245, em parceria com a grande petrolífera italiana ENI e a empresa estatal de petróleo da Nigéria (NNPC Ltd).
Em Gana, o grupo detém 38% de participação no bloco Deepwater Cape Three Points, operado pela Aker Energy. A empresa também detém cerca de 25% do bloco Marine XII no Congo-Brazzaville, que é operado pela ENI. Além disso, a empresa está envolvida em várias concessões onshore e offshore no deserto ocidental e no Golfo de Suez no Egito.
Essas participações, adquiridas entre 2005 e 2021, representam uma parte significativa de seus investimentos internacionais, que além da África, abrangem o Oriente Médio, Europa, Ásia Central e América Latina. Este portfólio total representava cerca de 15 a 20% da produção mundial do grupo em 2024, de acordo com a empresa.
A decisão ocorre em um contexto de sanções econômicas internacionais contra empresas russas desde fevereiro, após a invasão da Ucrânia. Essas restrições limitam o acesso da Lukoil ao financiamento, serviços técnicos e tecnologias necessárias para a exploração de petróleo.
Diante dessas restrições, a empresa começou um processo de venda de seus ativos internacionais sob a licença americana, chamada de "wind-down", fornecida pelo Office of Foreign Assets Control (OFAC), que regula a venda gradual de ativos submetidos a sanções.
Segundo a empresa, este movimento visa manter a estabilidade de suas operações e focar nos mercados onde suas atividades permanecem totalmente operacionais, nesse caso, na Rússia.
A venda das participações da Lukoil abre caminho para novos investidores, públicos ou privados, interessados em blocos já em desenvolvimento. Os parceiros envolvidos, incluindo ENI, GNPC, NNPC Ltd e SNPC, precisarão especificar os termos de transferência e garantir a continuidade das operações. Lukoil não divulgou nem o cronograma nem a estimativa do valor das vendas.
Abdel-Latif Boureima












