A empresa sul-africana Sasol tem desempenhado, nos últimos anos, um papel chave no abastecimento energético da África do Sul através da exploração de campos de gás natural em Moçambique.
Na quarta-feira, 28 de janeiro, o grupo energético sul-africano Sasol alertou os seus clientes para um risco potencial de interrupção no fornecimento de gás natural proveniente de Moçambique. A informação foi transmitida aos clientes pela Egoli Gas, distribuidora de gás com sede em Joanesburgo, num comunicado enviado no mesmo dia.
Neste comunicado, a Egoli Gas indicou ter recebido da Sasol uma notificação formal sobre desafios operacionais decorrentes de condições meteorológicas extremas em Moçambique. Segundo a Sasol, as inundações danificaram várias estradas, complicando o transporte de recursos logísticos essenciais, incluindo o transporte de condensados associados à produção de gás.
Este alerta surge após fortes chuvas e inundações terem afetado várias regiões de Moçambique nas últimas semanas. De acordo com as autoridades e agências humanitárias, infraestruturas rodoviárias foram danificadas, tornando vários eixos intransitáveis, sobretudo nas regiões sul e central do país.
A Egoli Gas esclarece que esta notificação insere-se no âmbito de uma declaração preventiva de força maior, destinada a informar os clientes antecipadamente sobre possíveis dificuldades operacionais.
Até ao momento, não foi registada qualquer interrupção efetiva do fornecimento. A Egoli Gas indica que as entregas de gás continuam normalmente e que os clientes não foram convidados a ajustar o seu consumo. A Sasol afirmou que as suas operações de gás continuam, apesar das restrições logísticas causadas pelas intempéries, tendo sido implementadas medidas para assegurar a continuidade do serviço.
As atividades de gás da Sasol em Moçambique baseiam-se nos campos onshore de Pande e Temane, postos em produção no início dos anos 2000. Segundo a autoridade moçambicana de regulação dos hidrocarbonetos, a produção comercial de gás iniciou-se em 2004, no âmbito de um projeto transfronteiriço destinado a abastecer a África do Sul.
O gás extraído é tratado localmente na Central Processing Facility (CPF) de Temane, antes de ser exportado para a África do Sul através de um gasoduto com cerca de 865 km, ligando o sul de Moçambique ao complexo industrial de Secunda. A Sasol indica que este corredor constitui a infraestrutura central dos seus fluxos de gás transfronteiriços.
No passado, as operações da empresa já foram expostas a constrangimentos externos, nomeadamente de segurança ou logísticos. Em alguns casos, estes eventos levaram a Sasol a notificar os seus clientes sobre riscos operacionais, sem que as entregas fossem sistematicamente afetadas. Segundo a imprensa moçambicana, citando em 2024 o ex-presidente Filipe Nyusi, a Sasol exportou cerca de 2,6 mil milhões de gigajoules de gás natural dos campos de Pande e Temane para a África do Sul entre 2004 e 2024.
Abdel-Latif Boureima













Marrakech. Maroc