Glencore prioriza produção de cobre na RDC após suspensão das exportações de cobalto
Apesar do levantamento, em outubro de 2025, do embargo às exportações de cobalto na RDC imposto desde fevereiro, a Glencore não conseguiu enviar nenhuma tonelada até ao final do ano. O volume de cobalto produzido no país em 2025 excede, aliás, os quotas de exportação atribuídos para 2026.
A Glencore publicou, na quinta-feira, 29 de janeiro, as suas previsões de produção de cobre para 2026, sem divulgar números para o cobalto. O grupo suíço sublinha que “existem atualmente muitas incertezas para fornecer previsões fiáveis” e esclarece que a produção de cobre na RDC terá prioridade sobre a do cobalto, para o qual existem quotas de exportação.
Em 2025, a Glencore produziu 33.500 toneladas de cobalto na RDC, uma queda de 5% face a 2024, mas a maior parte desta produção não pôde ser exportada devido a um embargo imposto no final de fevereiro de 2025 sobre as exportações congolesas deste metal estratégico para a indústria de veículos elétricos. Decidido pelas autoridades para enfrentar um mercado excedentário que pressionava os preços do cobalto para baixo, este embargo foi substituído em outubro passado por quotas de exportação atribuídas aos produtores.
No entanto, a retoma efetiva das exportações só pôde ocorrer no final de 2025, devido à complexidade do processo de autorização. Embora, em princípio, não seja possível transferir quotas não utilizadas, as autoridades congolesas concederam uma exceção permitindo aos produtores exportar as quotas de final de 2025 até 31 de março de 2026. Para o ano completo, a Glencore indica poder exportar 22.800 toneladas de cobalto, incluindo a quota não utilizada em 2025, contra 18.800 toneladas previstas para 2027. Valores bem inferiores à produção cumulativa das duas minas congolesas da empresa (KCC e Mutanda) em 2025.
Mercado de cobre em crescimento
Sem aumento das quotas de exportação nos próximos meses, a Glencore anunciou que pretende armazenar o excedente produzido na RDC, para o vender quando as circunstâncias o permitirem. Enquanto 99% do cobalto extraído no mundo é subproduto do cobre ou do níquel, as minas congolesas não são exceção. Mas, enquanto a exportação de cobalto sofre restrições na RDC, o cobre não tem tais limitações, e os preços globais estão a subir.
Na Bolsa de Metais de Londres, o preço do cobre para entrega em três meses atingiu um novo máximo na quinta-feira, a 14.527 dólares por tonelada, segundo a Reuters. Após uma subida superior a 40% no ano passado, o metal vermelho já estabeleceu novos recordes em 2026, podendo ultrapassar as previsões de alguns analistas.
Segundo o Goldman Sachs, o preço do cobre poderá atingir 15.000 dólares por tonelada até 2035, devido à procura superior à oferta a partir de 2029. O consumo de cobre deverá aumentar devido a investimentos em redes elétricas e infraestruturas energéticas globais, impulsionados, nomeadamente, pela inteligência artificial. Neil Welsh, analista da Britannia Global Markets, explica que estes fatores já sustentam a atual valorização do cobre, com os investidores a antecipar “um aumento das despesas globais em centros de dados, robótica e infraestruturas energéticas”.
Enquanto a Glencore indica que pretende priorizar a produção de cobre sobre a do cobalto “quando for comercialmente sensato”, o contexto atual reforça esta estratégia. As minas congolesas da empresa entregaram 247.800 toneladas de cobre em 2025, um volume 10% superior ao ano anterior, representando 29% da produção total do grupo. O grupo suíço ainda não apresentou previsões detalhadas para 2026, mas indica que pretende produzir até 870.000 toneladas em todas as suas minas no mundo, contra 851.600 toneladas em 2025. Resta saber se a prioridade anunciada para o cobre na RDC se traduzirá num aumento dos volumes extraídos no país.
Emiliano Tossou













Marrakech. Maroc