As cargas de petróleo da África subsaariana ocupam um lugar central no mercado mundial, abastecendo principalmente a Ásia e a Europa com brutos leves e com baixo teor de enxofre, muito procurados pelos refinadores.
Os produtores de petróleo da África subsaariana estão a abrandar as suas vendas e a reter várias cargas, segundo informações divulgadas na sexta-feira, 27 de março, pela Reuters, citando quatro comerciantes de crude diretamente envolvidos no mercado.
De acordo com estas fontes, cerca de vinte cargas previstas para carregamento em abril estão disponíveis, mas os vendedores não se apressam a concluir as transações, apesar de uma procura ainda presente. Alguns produtores optam assim por adiar as suas vendas ou por direcionar parte do crude para o refino local.
Como consequência desta situação, os fluxos de exportação parecem estar a abrandar. As cargas nigerianas, angolanas ou congolesas são disponibilizadas, mas as negociações demoram mais tempo do que o habitual.
Paralelamente, alguns tipos de petróleo bruto estão a negociar-se a preços superiores às referências do mercado. O bruto nigeriano Bonny Light, por exemplo, está a ser comercializado cerca de 7,5 dólares acima do Brent que, segundo dados do site Investing.com, apresenta esta segunda-feira um preço de venda em torno de 108 dólares por barril.
Esta situação ocorre enquanto o estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, permanece fechado, perturbando os fluxos globais de hidrocarbonetos e reduzindo a oferta disponível no mercado. Neste contexto, alguns vendedores preferem adiar as suas vendas na expectativa de preços mais elevados.
Como consequência destas perturbações, os custos do transporte marítimo aumentam significativamente. Este aumento encarece o preço final das cargas africanas para os compradores. Na Ásia, principal destino do crude da África subsaariana, alguns refinadores recorrem a fornecimentos considerados mais competitivos.
A oferta de petróleo da África subsaariana situa-se entre 2,6 e 2,7 milhões de barris por dia, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE). Na semana passada, Fatih Birol, diretor da instituição, mencionou possíveis novas liberações de stocks estratégicos, afirmando que o bloqueio desta passagem estratégica continua a ameaçar a segurança energética mundial.
Abdel-Latif Boureima













Marrakech. Maroc