As relações energéticas entre Argel e Abidjan baseavam-se até agora em iniciativas dispersas, sem um quadro global para coordenar as atividades petrolíferas e de gás.
A Argélia e a Costa do Marfim deram um passo importante na cooperação em hidrocarbonetos. No sábado, 28 de março, em Argel, os dois países assinaram um acordo destinado a abranger toda a cadeia de valor da indústria do petróleo e do gás natural.
Segundo informações da Algérie Presse Service (APS), o documento estabelece o enquadramento para a implementação de projetos conjuntos. O objetivo é «abrir amplas perspetivas» para cada segmento do setor petrolífero e gasífero, incluindo exploração, produção, transformação e comercialização.
O acordo prevê também mecanismos de transferência de competências, programas de formação e apoio técnico, não apenas nos setores de petróleo e gás, mas também em mineração, detalha o meio de comunicação público.
A assinatura decorreu durante a visita oficial do ministro marfinense das Minas, Petróleo e Energia, Mamadou Sangafowa-Coulibaly, ao país do Norte de África. Em conjunto com o seu homólogo argelino, Mohamed Arkab, definiram, através deste acordo, um quadro estruturante para as interações entre administrações e empresas dos dois países.
Esta iniciativa reflete a vontade de Argel de desenvolver parcerias energéticas com países africanos. Um precedente ocorreu com o Burkina Faso, que em meados de fevereiro de 2026 assinou com a Argélia um memorando de entendimento abrangendo hidrocarbonetos, energia, mineração e formação.
Este quadro prevê, entre outros pontos, o abastecimento do Burkina Faso com produtos petrolíferos, o desenvolvimento do comércio de gás liquefeito de petróleo, o reforço das capacidades de armazenamento e distribuição, assim como intercâmbios de experiência e know-how.
Mamadou Sangafowa-Coulibaly destacou o interesse de Abidjan em apoiar-se na experiência argelina para desenvolver a sua indústria de hidrocarbonetos. Este interesse surge num contexto em que a Costa do Marfim tem registado um aumento da atividade petrolífera desde 2021, impulsionado pelas descobertas dos campos offshore Baleine e Calao pelo grupo Eni.
Localizados em águas profundas, estes campos totalizam mais de 2,5 mil milhões de barris de crude e recursos gasíferos significativos, com uma produção nacional prevista para aumentar fortemente até 2027-2028.
A assinatura deste acordo ocorre num momento em que a Argélia intensifica iniciativas para aplicar a sua experiência energética internacionalmente. Conforme noticiado pela Agência Ecofin, o grupo público Sonelgaz criou recentemente uma subsidiária dedicada, Sonelgaz International, encarregada de expandir as atividades fora do território nacional e desenvolver parcerias em vários mercados.
Abdel-Latif Boureima













Marrakech. Maroc