A Etiópia comprometeu-se com uma transição progressiva para veículos elétricos, através de um quadro político rigoroso baseado na estruturação das infraestruturas de carregamento e em incentivos fiscais, o que apoia o surgimento de iniciativas privadas como a Dodai na mobilidade urbana.
O desenvolvimento da mobilidade elétrica na Etiópia continua a atrair capital estrangeiro. Na terça-feira, 28 de abril, a empresa Dodai anunciou, num comunicado, ter levantado 13 milhões de dólares numa ronda de financiamento Série A.
A operação inclui 8 milhões em capital próprio e 5 milhões em dívida fornecidos pela British International Investment, a instituição britânica de financiamento ao desenvolvimento. Este financiamento visa apoiar a implantação de motociclos elétricos e de infraestruturas de troca de baterias em Addis Abeba, capital do país.
«Este investimento demonstra a crescente confiança dos investidores internacionais na capacidade da nossa equipa para transformar desafios reais em oportunidades. Em apenas dois anos, colocámos em circulação mais de 2.000 motos elétricas, permitindo a mais de 2.000 motociclistas ganhar a sua vida», afirmou Hilina Legesse, vice-presidente sénior e diretora de assuntos gerais da Dodai Group.
Fundada há três anos, a Dodai monta localmente motos elétricas e cria uma rede de estações de troca de baterias. A empresa prevê atingir 3.000 utilizadores suportados por 30 estações nos próximos 12 meses. Num horizonte de três anos, pretende alcançar 30.000 utilizadores e 1.000 estações na capital, antes de expandir para outras cidades africanas.
Uma dinâmica impulsionada por um quadro político ambicioso
Esta operação surge num contexto de transformação rápida do setor dos transportes na Etiópia. O país tornou-se, em 2025, o primeiro a proibir a importação de veículos com motor de combustão interna, segundo o The Guardian. De acordo com o Ministério dos Transportes, cerca de 115.000 veículos elétricos circulam atualmente no país, num total de 1,5 milhões de veículos, com o objetivo de atingir 500.000 unidades até 2030.
Esta dinâmica ocorre, no entanto, num contexto energético específico. A matriz elétrica, dominada pela hidroeletricidade, é de baixo carbono, o que reforça o impacto ambiental positivo dos veículos elétricos. Contudo, o acesso à eletricidade ainda não é totalmente fiável. Segundo o National Energy Compact de 2025, 56% da população, cerca de 71 milhões de etíopes, não tem acesso suficiente à eletricidade.
Paralelamente à adoção dos veículos elétricos, o governo terá de reforçar a fiabilidade do fornecimento elétrico e a capacidade da rede, nomeadamente através de grandes infraestruturas como a barragem do Renascimento (GERD).
Abdoullah Diop












