A longo prazo, a Líbia procura consolidar a sua produção de hidrocarbonetos, especialmente de petróleo bruto, onde detém as maiores reservas do continente.
Na Líbia, a National Oil Corporation (NOC) e o grupo norte-americano Chevron assinaram um memorando de entendimento que servirá de base para a realização de um estudo conjunto sobre o potencial dos recursos não convencionais do país. A informação foi anunciada pela empresa pública petrolífera na terça-feira, 28 de abril.
O estudo abrangerá três bacias sedimentares: Sirte, Murzuq e Ghadamès. Equipas técnicas de ambas as partes irão analisar dados geo-sísmicos disponíveis para avaliar as perspetivas de desenvolvimento, segundo a NOC.
Este desenvolvimento marca o primeiro estudo deste tipo alguma vez realizado sobre recursos não convencionais na Líbia. «Este acordo é um passo excecional que abrirá caminho a outros memorandos e acordos semelhantes», declarou à Libya Herald Masoud Suleiman, presidente da NOC.
As estimativas preliminares indicam um potencial de 123 biliões de pés cúbicos de gás e cerca de 18 mil milhões de barris de petróleo nestas bacias. Em comparação, as reservas convencionais líbias são estimadas em 48 mil milhões de barris, as maiores de África.
Extensão de acordos recentes
Este memorando dá continuidade a um acordo anterior assinado no final de março entre as mesmas entidades, relativo à avaliação do bloco offshore NC146. Marca também o regresso progressivo da Chevron à Líbia, após a sua saída em 2010.
Este regresso insere-se numa tendência mais ampla, com várias multinacionais como Shell, BP e ExxonMobil a assinarem acordos semelhantes com a NOC em 2025. Em janeiro do mesmo ano, a companhia nacional lançou o seu primeiro concurso de exploração em 17 anos.
Produção de 1,6 milhões de barris/dia como objetivo
A produção petrolífera da Líbia atingiu cerca de 1,43 milhões de barris por dia, o nível mais elevado em mais de uma década. O país pretende chegar a 1,6 milhões de barris por dia até ao final de 2026.
Um programa de investimento entre 3 e 4 mil milhões de dólares foi definido para modernizar infraestruturas e aumentar a produção.
As receitas petrolíferas atingiram 21,9 mil milhões de dólares em 2025, um aumento de 18% face ao ano anterior.
No entanto, este dinamismo continua dependente de um contexto político frágil, com o país dividido entre dois governos rivais. Em 2024, uma paralisação da produção reduziu drasticamente os níveis de extração, evidenciando os riscos persistentes para os investidores internacionais.
Abdel-Latif Boureima













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