Impulsionada pelo anúncio de novos investimentos em projetos mineiros, a Zâmbia ambiciona aumentar a sua produção de cobre para 3 milhões de toneladas até 2031. Entre estes ativos destaca-se Mingomba, um importante jazigo operado pela norte-americana KoBold Metals.
Mal começaram as primeiras etapas da fase de construção no local, e a Zâmbia já manifesta a intenção de reforçar a sua participação no projeto Mingomba, que deverá tornar-se a futura grande mina de cobre do país. Esta ambição foi referida por Phesto Musonda, diretor executivo da empresa estatal de investimento ZCCM Investments Holdings, à margem de uma cerimónia realizada na terça-feira, 28 de abril.
Apresentado como o maior jazigo de cobre do país desde a sua descoberta, Mingomba é explorado pela empresa norte-americana KoBold Metals, que também detém a maioria do capital. Os restantes 20% pertencem à ZCCM Investments Holdings, entidade controlada pelo Estado zambiano, que pretende agora aumentar a sua participação para 25%. Trata-se, no entanto, apenas de uma intenção, sendo referido que tal evolução permitiria «aumentar os benefícios económicos para os zambianos».
Preparar o terreno antes da entrada em produção?
Até ao momento, não foram tornadas públicas negociações formais entre a ZCCM Investments Holdings e a KoBold Metals sobre uma eventual reestruturação do capital. Ainda assim, o momento do anúncio é significativo, podendo ser interpretado como um sinal de antecipação numa fase em que Mingomba entra na etapa de desenvolvimento, com o início dos trabalhos de escavação na presença do presidente Hakainde Hichilema.
Este desenvolvimento ocorre poucas semanas após o anúncio do arranque iminente das obras do projeto pela CEO da divisão africana da KoBold Metals, que apontou o início da produção para o início da década de 2030. Esta evolução está alinhada com a ambição de Lusaka de aumentar a produção de cobre para 3 milhões de toneladas até 2031, contra cerca de 890 346 toneladas em 2025.
O investimento total no projeto é estimado entre 2,3 e 2,5 mil milhões de dólares, prevendo-se uma produção média de 300 000 toneladas de concentrado de cobre por ano. A KoBold Metals, não cotada em bolsa, indica ter capacidade para financiar o projeto nesta fase, embora admita estar em contacto com potenciais investidores.
Neste contexto, a evolução do projeto Mingomba nos próximos meses permitirá clarificar tanto o seu modelo de desenvolvimento como a estratégia da ZCCM Investments Holdings enquanto acionista. Para além dos dividendos, a mina deverá também reforçar as receitas fiscais do Estado, num setor mineiro dominado pelo cobre, que representava cerca de 17% do PIB da Zâmbia em 2024.
Aurel Sèdjro Houenou












