O grupo chinês CMOC anuncia um investimento de US$ 1,08 bilhão para aumentar a produção anual da mina Kisanfu de cobre na República Democrática do Congo (RDC)
Série de projetos mostra o forte envolvimento de atores chineses na crescente indústria de cobre do país da África Central, que verá uma demanda mais alta nas próximas décadas
Primeiro produtor africano e segundo no mundo, a RDC vem atraindo mais atenção com a anunciada escassez de cobre. O país se destaca com novos projetos que deverão reforçar sua produção nos próximos anos.
Na sexta-feira, 24 de outubro de 2025, o grupo chinês CMOC anunciou a aprovação do seu conselho de administração para o desenvolvimento da expansão da mina de cobre Kisanfu na República Democrática do Congo. A iniciativa, no valor de US$ 1,08 bilhão, visa aumentar a produção anual em 100 mil toneladas em média, tornando-se um dos novos projetos chineses que irão impulsionar a produção de cobre congolesa.
Setor em expansão
Em detalhes, a CMOC planeja um cronograma de dois anos para implementação desta expansão, que entrará em operação em 2027. Uma vez concluída, a mina de Kisanfu aumentará sua capacidade de processamento de cobre, que atualmente entrega mais de 150.000 toneladas por ano, segundo o site oficial da empresa. Esse anúncio de expansão surge enquanto um projeto de otimização semelhante está em andamento na mina Kamoa-Kakula, outra mina de cobre controlada em 39,6% pela chinesa Zijin Mining.
Chamado "Projeto 95", o projeto de otimização tem o objetivo de aumentar as taxas de recuperação de cobre dos concentradores 1 e 2, gerando anualmente até 30.000 toneladas adicionais. A iniciativa visa atingir uma produção anual de 600.000 toneladas em Kamoa-Kakula (contra 437.061 t entregues em 2024).
Paralelamente, JinChuan Group, uma outra entidade chinesa já ativa nas minas Ruashi e Kinsenda, está preparando o lançamento de sua terceira mina de cobre na RDC. Trata-se do projeto Musonoi, com capacidade de produção de 38.000 t por ano, e cuja finalização está prevista para o segundo trimestre de 2026. Esses diferentes projetos destacam o peso cada vez maior dos atores chineses na crescente indústria de cobre do país da África Central.
O país, segundo maior produtor do mundo desde 2023, exportou 3,1 milhões de toneladas de cobre em 2024. Um resultado que representa um aumento de 13%, impulsionado pelas boas performances das minas Kamoa-Kakula e das operações da CMOC.
Antecipação de perspectivas do mercado global
É importante ressaltar que esses projetos estão inseridos num contexto de mercado favorável para o cobre, cuja demanda é esperada para aumentar com a ascensão da transição energética e da inteligência artificial. De acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), a oferta atual de projetos de mineração não será suficiente para atender à demanda nos próximos anos. A instituição indica que o déficit de oferta de cobre pode chegar a 40% até 2035.
Uma fatia do mercado que as empresas podem alcançar desenvolvendo novas fontes de produção ou reforçando seus ativos existentes. Essa constatação ganha ainda mais relevância para a RDC, considerando que a China é atualmente o principal importador do seu cobre.
Para o país africano, a concretização desses projetos chineses poderá consolidar sua posição entre os principais centros de produção de cobre do mundo, desde que os sites existentes mantenham-se estáveis. Além disso, os projetos podem proporcionar mais receita para o país. Kinshasa controla principalmente 20% de Kamoa-Kakula, e 25% do capital do Musonoi, através da empresa pública Gécamines.
Aurel Sèdjro Houenou













Marrakech. Maroc