Em 2024, o CEO da Resolute foi brevemente detido no Mali devido a um litígio fiscal com as autoridades de um país que representa mais de 60% da sua produção. Desde então, a empresa adquiriu o projeto aurífero Doropo, na Costa do Marfim, que deverá tornar-se, até 2028, a sua terceira mina de ouro na África Ocidental.
A empresa pública guineense Nimba Mining Company (NMC) anunciou na segunda-feira, 30 de março, a assinatura de um protocolo de entendimento com a Resolute Mining para o co-desenvolvimento de projetos auríferos. Na sequência dos recentes investimentos realizados na Costa do Marfim, esta entrada na Guiné ilustra a diversificação em curso do portfólio da companhia australiana, que sai de um período de turbulências no Mali.
Celebrado com a participação do Ministério das Minas e Geologia, o acordo prevê uma avaliação conjunta das zonas com elevado potencial aurífero nos 90 dias seguintes à assinatura, antes da eventual criação de uma joint venture. Para a Resolute, esta parceria insere-se numa dinâmica de expansão na África Ocidental, sustentada por um objetivo ambicioso: produzir anualmente 500.000 onças de ouro até 2028, quase o dobro da produção atual repartida entre Mali e Senegal.
Reconfiguração do portfólio
Para compreender o interesse da Resolute na Guiné, é necessário recuar às turbulências vividas pela companhia no Mali, onde explora a mina de ouro Syama. Em novembro de 2024, o seu CEO, Terence Holohan, foi detido em Bamaco enquanto negociava com as autoridades malianas, que exigiam o pagamento de atrasados fiscais de várias empresas mineiras. Permaneceria detido mais de uma semana, sendo libertado após a assinatura de um protocolo de entendimento que previa o pagamento de 160 milhões de dólares para liquidar todas as reclamações pendentes. Alguns meses depois, Holohan apresentou a sua demissão.
O episódio não levou a Resolute a abandonar o Mali, mas provavelmente acelerou a necessidade de diversificar um portfólio fortemente dependente do país. Das 277.236 onças produzidas em 2025, Syama representou 176.341 onças, cerca de 64% da produção total. Em maio de 2025, a Resolute deu um passo decisivo adquirindo o projeto aurífero Doropo, na Costa do Marfim, à AngloGold Ashanti.
Por um valor anunciado de 175 milhões de dólares, a companhia assumiu o controlo de um ativo capaz de produzir em média 169.000 onças de ouro por ano ao longo de 13 anos, com uma média de 204.000 onças prevista nos primeiros cinco anos. Em março de 2026, a Resolute avançou mais um passo ao anunciar a decisão final de investimento para o projeto, cujo custo total é estimado em 516 milhões de dólares. A construção da mina deverá começar no primeiro semestre de 2026, com entrada em operação prevista até 2028.
O eldorado guineense
Embora não se espere que a Resolute coloque uma mina em operação na Guiné nos próximos dois anos, o acordo com a NMC pode, a longo prazo, acrescentar um quarto país ao portfólio de minas em exploração da companhia. A Guiné possui um potencial aurífero relativamente subexplorado e apenas cinco minas industriais de ouro, em comparação com 13 na Costa do Marfim. A Resolute detém, aliás, uma autorização de reconhecimento cobrindo 83 km² na bacia de Siguiri, uma das zonas auríferas mais produtivas da Guiné.
“Esta parceria demonstra o nosso compromisso em investir na Guiné – uma jurisdição que, na nossa opinião, oferece à Resolute o potencial para desenvolver uma quarta mina – e em criar valor com todas as partes interessadas, no âmbito de projetos sustentáveis”, declarou Chris Eger, CEO da companhia.
Para concretizar esta ambição, a empresa terá primeiro de superar várias etapas técnicas e regulatórias. Nesta fase, a parceria com a NMC permanece não vinculativa. Qualquer projeto de construção de mina dependerá dos resultados das avaliações técnicas, da negociação de acordos juridicamente vinculativos e da obtenção das autorizações regulamentares necessárias.
Emiliano Tossou













Bamako