A produção alumínio no Camarões sofreu um forte retração de 40,8% no primeiro trimestre de 2025.
Alucam, o principal produtor de alumínio do país, enfrenta desafios estruturais persistindo prejuízo financeiro desde 2019.
A Companhia Camaronesa de Alumínio (Alucam) vem encarando deficits consecutivos desde 2019. Os resultados do início do ano de 2025 seguem essa mesma tendência.
A produção alumínio no Camarões sofreu uma forte retração de 40,8% no primeiro trimestre de 2025, segundo o boletim econômico divulgado pelo Ministério das Finanças (Minfi). Esta queda é resultado da paralisação de mais da metade das células de eletrolise por razões técnicas. "A produção dos lingotes e placas de alumínio recuou 40,8%, em conexão com o desligamento de mais de 50% das células de eletrolise devido à falha técnica", relata o boletim. Em termos anuais, o setor ainda registra um crescimento de 4,5%, e a produção deve aumentar 6% ao longo de 2025.
Este desempenho ilustra as dificuldades estruturais persistentes da Companhia Camaronesa de Alumínio (Alucam), principal produtor nacional. A empresa, controlada pelo Estado camaronês em 79,68%, conta entre seus acionistas a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) (5,05%) e a Sociedade Nacional de Investimento (SNI) (14,32%). Seus resultados financeiros de 2024 confirmam a tendência negativa: 23,7 bilhões de FCFA de perdas (cerca de 42 milhões USD), contra 23,6 bilhões um ano antes. O faturamento, fixado em 94,4 bilhões de FCFA, exibe uma queda de 10% em um ano, devido à "indisponibilidade do ferramental", segundo o relatório anual. Excetuando um ligeiro aumento em 2021 (+ 447,9 milhões de FCFA), a Alucam contabiliza deficits desde 2019.
Para reverter a situação, a empresa conta com a chegada de um investidor estratégico capaz de injetar capital fresco. "Procedimentos ainda estão em curso para a procura de um novo investidor que possa injetar capitais e, por conseguinte, dar nova vida à empresa", indica a direção.
Enquanto espera por este parceiro, a Alucam se apoia em um contrato assinado em agosto de 2024 com a Proalu, que prevê a compra mensal de 2.500 toneladas de matéria-prima, representando cerca de 48 bilhões de FCFA em receitas anuais. Esse acordo, junto com um adiantamento de 9,85 bilhões de FCFA, deverá melhorar o fluxo de caixa e estabilizar parte da receita da empresa.
Criada em 1957, a Alucam continua sendo um dos símbolos históricos da industrialização dos Camarões. Mas após décadas de domínio regional na produção de alumínio, o produtor histórico luta agora para evitar um colapso industrial e recuperar sua competitividade em um contexto energético e financeiro difícil.
Amina Malloum (Investir au Cameroun)













Marrakech. Maroc