Durante muito tempo considerado o epicentro mundial da pirataria marítima, o Golfo da Guiné continua a mobilizar importantes investimentos em segurança. A Nigéria, cujas águas estão entre as mais afetadas, prossegue o reforço das suas capacidades navais para consolidar os progressos alcançados nos últimos anos.
A Marinha nigeriana integrou três novos navios especializados na sua frota para reforçar a segurança marítima e melhorar as suas capacidades operacionais nas águas territoriais. As embarcações foram oficialmente colocadas ao serviço durante a cerimónia do 70.º aniversário da criação deste ramo das forças armadas, na presença do Presidente Bola Tinubu.
Esta aquisição insere-se no âmbito de um programa de modernização previsto no plano estratégico 2021-2030, cujo principal objetivo é consolidar a segurança marítima nacional. O país procura, nomeadamente, preservar os progressos realizados nos últimos anos no combate à pirataria e a outras formas de criminalidade marítima.
Entre 2020 e 2023, as águas nigerianas concentraram uma parte significativa dos ataques registados no Golfo da Guiné. Esta situação alimentava as preocupações dos armadores e contribuía para o aumento dos prémios de seguro aplicados ao tráfego marítimo na região.
À semelhança da Nigéria, vários Estados do Golfo da Guiné lançaram investimentos destinados a reforçar a vigilância e a proteção das suas águas. Em complemento das iniciativas nacionais, foi também criada uma força operacional conjunta que reúne a Nigéria, a Costa do Marfim, a Gâmbia, o Gana, a Libéria e a Serra Leoa.
Segundo o Bureau Maritime International, estes esforços têm contribuído para uma melhoria da situação de segurança na região desde 2023. Contudo, a organização apela aos Estados para que mantenham a vigilância. No seu relatório publicado em outubro de 2025, indica que foram registados 15 incidentes no Golfo da Guiné durante os primeiros nove meses de 2025, contra 12 no mesmo período de 2024. Entre estes incidentes, 10 corresponderam a roubos à mão armada e 5 a atos de pirataria.
Henoc Dossa













Dakar, Senegal