Perante uma urbanização crescente e uma congestão persistente nas suas grandes metrópoles, a Nigéria aposta no transporte ferroviário urbano para reorganizar a mobilidade de pessoas e bens, bem como apoiar a atividade económica.
O governo federal nigeriano aprovou na semana passada, em Conselho de Ministros, contratos relativos a três grandes projetos ferroviários, num montante total de 2,99 mil milhões de dólares. Os projetos abrangem a primeira fase da linha urbana “Green Line” em Lagos, um metro ligeiro no estado de Kano e um sistema de elétrico em Kaduna. Estes investimentos visam densificar a rede ferroviária nacional, reforçando a intermodalidade dos transportes. Segundo o Ministério das Finanças, integram-se nos orçamentos para os exercícios de 2025 e 2026.
De acordo com as autoridades municipais, a Green Line terá uma extensão de 68 km, ligando Marina à zona franca de Lekki. O traçado prevê cerca de quinze estações que servirão zonas estratégicas como Victoria Island, Ajah e todo o corredor de Lekki. No futuro, esta linha poderá transportar até um milhão de pessoas por dia, com uma capacidade inicial estimada em 500 mil utilizadores diários.
Em paralelo, os projetos de Kano e Kaduna, em desenvolvimento desde 2021, baseiam-se na implementação de linhas ferroviárias de bitola standard (SGR), destinadas a reforçar os sistemas de transporte urbano nas principais aglomerações do norte do país. Estes três investimentos inserem-se numa estratégia mais ampla que visa reestruturar o sistema nacional de transportes, com o objetivo de reduzir a pressão sobre a rede rodoviária.
Segundo um estudo do Danne Institute for Research, em parceria com a Financial Derivatives Company, o custo da congestão em Lagos é estimado em cerca de 3834 mil milhões de nairas (aproximadamente 2,79 mil milhões de dólares) por ano. Contudo, a concretização destes projetos, destinados a reduzir a congestão, pode enfrentar desafios, nomeadamente a mobilização efetiva de financiamento e o controlo de custos num contexto de volatilidade cambial.
A estes fatores juntam-se questões de manutenção das infraestruturas e de viabilidade económica dos serviços, num contexto em que as tarifas terão de permanecer acessíveis para garantir uma adoção em larga escala.
Henoc Dossa













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