Confrontado com uma recrudescência de eventos climáticos extremos, Moçambique vê a resiliência das suas infraestruturas de transporte voltar a tornar-se uma questão central. Essencial para a continuidade das trocas comerciais e o abastecimento dos mercados, a reparação das vias danificadas coloca novamente desafios de financiamento.
Em Moçambique, o custo da reabilitação da rede rodoviária após as recentes inundações está agora estimado em cerca de 3,5 mil milhões de USD, segundo o ministro dos Transportes e da Logística, João Matlombe. Segundo ele, um primeiro plano de intervenção de 1,2 mil milhões de USD tinha sido aprovado em 2025 para a reabilitação de vários troços da principal autoestrada norte-sul (EN1), bem como de estradas regionais. «No entanto, tendo em conta os danos recentes, o custo total necessário para reparar toda a rede ascende a 3,5 mil milhões de dólares», indicou. Acrescentou que a rede ferroviária também sofreu danos, implicando trabalhos de reparação adicionais.
Segundo um comunicado das Nações Unidas, as fortes chuvas que caíram durante vários dias danificaram mais de 5.000 km de estradas em nove províncias do país. Entre as infraestruturas afetadas está a estrada que liga a capital Maputo ao resto do território, tornando-se intransitável em alguns pontos. Esta situação perturba a mobilidade das populações e as cadeias de abastecimento, num país onde o transporte rodoviário constitui a espinha dorsal das trocas internas. Embora trabalhos de emergência tenham permitido, segundo a imprensa local, restabelecer parcialmente a circulação em alguns eixos estratégicos, várias regiões permanecem ainda de difícil acesso, devido à falta de infraestruturas funcionais.
Para além da urgência humanitária e logística, estas necessidades de financiamento ilustram um desafio estrutural para o país. Regularmente atingido por choques climáticos, Moçambique dedica uma parte significativa dos seus recursos à reconstrução de infraestruturas danificadas, em detrimento da expansão da rede. Uma situação que retarda os esforços de integração, desenvolvimento económico nacional e fluidez dos corredores de transporte.
Localizado na costa sudeste de África, frente ao Oceano Índico, uma das bacias ciclónicas mais ativas do mundo, Moçambique é um dos países mais expostos a riscos climáticos. Este contexto reforça a necessidade de investimentos acrescidos em infraestruturas de transporte mais resilientes, incorporando normas adaptadas aos efeitos das alterações climáticas.
Henoc Dossa













Paris Expo, Porte de Versailles - Générations Solutions