O lançamento comercial da 5G na África do Sul começou em 2019 com a Rain, seguido em 2020 pela Vodacom e MTN. Sete anos depois, e apesar dos crescentes investimentos dos operadores, a tecnologia continua parcialmente implementada.
Na África do Sul, a taxa de cobertura da população com 5G passou de 46,6% em 2024 para 58% em 2025, segundo o regulador das telecomunicações. Embora este progresso indique uma aceleração do lançamento, a cobertura continua limitada, especialmente nas zonas rurais, mesmo com as autoridades a procurarem generalizar o acesso ao ultra‑rápido (4G e 5G) em detrimento das redes 2G e 3G.
Segundo a edição de 2026 do relatório anual sobre o estado do setor das TIC da Independent Communications Authority of South Africa (ICASA), as nove províncias do país apresentavam em 2025 uma cobertura média de 30,7% nas áreas rurais. Os níveis mais baixos foram observados nas províncias de Eastern Cape, Northern Cape e KwaZulu‑Natal, com 7%, 13% e 15%, respetivamente. Por outro lado, Gauteng e Mpumalanga destacaram-se com taxas de 74% e 63%.
Mesmo nas áreas urbanas persistem disparidades, apesar de uma cobertura média nacional de 66%. Gauteng e Western Cape registaram níveis elevados, com 89% e 83% da população coberta por 5G, enquanto Free State e Northern Cape apresentaram taxas significativamente mais baixas, de 38% e 41%.
Para outras tecnologias, a situação é muito melhor. A 3G cobria 99,85% da população em 2025, contra 99,9% para a 4G. Mesmo nas zonas rurais, todas as províncias apresentavam 100% de cobertura em 3G, à exceção de Northern Cape e Eastern Cape, com 94% e 97%. Na 4G, estas duas províncias também registaram os indicadores mais baixos, de 89% e 93%.
Reduzir o atraso rural: medidas do regulador
Perante esta situação, o regulador planeou várias iniciativas para reduzir as diferenças de cobertura 5G nas zonas rurais: alinhar incentivos às obrigações de implementação, promover o compartilhamento ativo e passivo de infraestruturas e reformar os processos de licenciamento, de modo a expandir a cobertura de nova geração para além das metrópoles e cidades secundárias. A 5G foi também incluída entre as áreas estratégicas para a reconversão profissional dos trabalhadores do setor.
Estas medidas surgem enquanto as autoridades sul-africanas procuram generalizar o acesso ao ultra‑rápido, num contexto de transformação digital acelerada. O governo pretende desativar as primeiras gerações de tecnologias para dar lugar à 4G, 5G e gerações futuras, consideradas mais capazes de responder à crescente procura de conectividade de alta velocidade e satisfazer os novos modos de consumo digital das administrações públicas, empresas e cidadãos.
Inicialmente, havia um calendário para o encerramento gradual das redes, com prazo previsto para dezembro de 2027. No entanto, em setembro de 2025, o Ministério das Comunicações e Tecnologias Digitais anunciou que não haveria mais uma data limite oficial para o desligamento das redes 2G e 3G pelos operadores de telemóveis, adotando uma transição gradual para não excluir pessoas que ainda possuam equipamentos compatíveis apenas com 2G e 3G.
Acessibilidade dos smartphones, chave para a adoção móvel
O principal obstáculo à adoção das tecnologias móveis de última geração continua a ser o acesso a dispositivos compatíveis, especialmente smartphones. O custo ainda é uma barreira, tornando-os inacessíveis para grande parte da população.
Segundo dados da ICASA, os modelos de entrada começam a ser vendidos a partir de 399 rands (23,66 USD), «oferecendo uma opção acessível a muitos consumidores e tornando a posse de um smartphone cada vez mais acessível em todo o país». No extremo oposto do mercado, smartphones topo de gama chegam aos 76 999 rands, «incorporando tecnologias avançadas e design sofisticado, respondendo às expectativas dos clientes à procura das últimas inovações», detalha o regulador.
Os dados do regulador indicam que 83,04 milhões das 117,3 milhões de subscrições de serviços móveis registadas em 2025 correspondiam a smartphones, ou seja, uma taxa de 70,8%. Este valor pode estar sobrestimado, pois cada cartão SIM é contado como uma subscrição separada, enquanto uma mesma pessoa pode ter vários. O mesmo se aplica aos smartphones que normalmente suportam dois SIMs.
O Banco Mundial indica que 67,51% da população sul-africana com mais de 15 anos possuía um smartphone em 2024.
Isaac K. Kassouwi













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