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Metro, BRT: a Costa do Marfim acelera a revolução dos seus transportes públicos

Metro, BRT: a Costa do Marfim acelera a revolução dos seus transportes públicos
Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

Na Costa do Marfim, o governo apresentou no final de maio de 2026 o novo Plano Nacional de Desenvolvimento do país para o período 2026-2030. Com um lugar central atribuído ao setor dos transportes, nomeadamente através de um projeto de linha de comboio de alta velocidade (TGV), esta estratégia reflete uma ambição que já começa a materializar-se no Grande Abidjan. Impulsionada por um dos crescimentos económicos mais fortes da UEMOA, a Costa do Marfim está a transformar profundamente os modos de transporte de uma população cuja presença na capital económica deverá duplicar até 2050.

Desenvolver a mobilidade no Grande Abidjan

Polo económico maior na Costa do Marfim e na sub-região da África Ocidental, Abidjan conta atualmente com cerca de seis milhões de habitantes. Segundo projeções da OCDE de 2025, a população da capital económica ivoiriense deverá ultrapassar os 12 milhões de habitantes até 2050.

Todos os anos, milhares de pessoas chegam a esta aglomeração urbana em busca de oportunidades económicas, o que exerce uma pressão crescente sobre as deslocações diárias entre as diferentes comunas. Durante muito tempo, a capital económica cresceu sem um sistema de transporte de massa estruturado. Os táxis comunais, os “woro-woro” e os minibus “gbakas” moldaram uma mobilidade amplamente informal, à qual o automóvel particular veio acrescentar congestionamento.

O resultado é uma congestão crónica das principais vias e uma rede rodoviária sob pressão, que custaria à Costa do Marfim até 4 a 5% do seu rendimento nacional, segundo estimativas do Banco Mundial. Esta organização da mobilidade urbana traduz-se também numa preocupante insegurança rodoviária. Só no início de 2026, o país registou mais de 500 acidentes com vítimas, causando 164 mortos e cerca de 2 000 feridos.

Apesar disso, medidas de adaptação têm sido continuamente implementadas pelo Estado, nomeadamente através do reforço da oferta pública de transporte coletivo. A Société des Transports Abidjanais (SOTRA) mais do que duplicou a sua frota numa década, passando de 1 022 autocarros em 2011 para 2 050 em 2024, enquanto o número de linhas aumentou de 83 para 139. No mesmo período, o tráfego passou de 103 para 295 milhões de passageiros por ano.

Os novos pilares do transporte urbano

O autocarro tradicional já não é suficiente para absorver a procura, e o governo ivoiriense trabalha há vários anos numa reforma profunda do sistema de transportes. Está em curso uma mudança para infraestruturas pesadas, financiadas sobretudo por parceiros internacionais.

O Bus Rapid Transit (BRT), rede de autocarros em vias dedicadas, lidera esta transformação. Com 20 quilómetros entre Yopougon e Bingerville, esta linha totalmente elétrica deverá transportar entre 300 000 e 500 000 passageiros por dia quando entrar em funcionamento, previsto para 2028, com financiamento do Banco Mundial e da Agência Francesa de Desenvolvimento. O metro segue a mesma lógica, mas numa escala diferente.

A linha 1 do metro de Abidjan, com 37 quilómetros entre Anyama e o aeroporto Félix Houphouët-Boigny, prevê igualmente mais de 500 000 passageiros diários. Em fase de eletrificação desde o início de 2026, a sua entrada em serviço está prevista para 2029. Paralelamente, a chegada de 200 novos autocarros da SOTRA em julho de 2025 reforça a oferta de transporte coletivo e melhora as condições de mobilidade.

Descentralizar a oferta de transportes

O reforço do transporte urbano no Grande Abidjan não é a única transformação em curso na conectividade do país. Longe da capital económica, o desafio já não é descongestionar, mas sim desencravar zonas rurais. Em várias regiões, mais de metade da população percorre 5 a 10 quilómetros, muitas vezes a pé, para alcançar uma estrada transitável, segundo o Banco Mundial.

Esta situação tem um custo económico elevado, sobretudo no setor agrícola, onde a dificuldade de escoamento das colheitas pode representar perdas de milhares de milhões de francos CFA.

É neste contexto que se insere o Projeto de Conectividade Inclusiva e Infraestruturas Rurais (PCR-CI), lançado em 2023 por seis anos e avaliado em cerca de 345 mil milhões de francos CFA, incluindo 181 mil milhões do Banco Mundial e 43 mil milhões do Estado. O projeto prevê a reabilitação e manutenção de 15 000 quilómetros de estradas em onze regiões, com prioridade para seis regiões fronteiriças do norte. O objetivo é garantir que cerca de quatro milhões de pessoas tenham acesso a uma estrada transitável durante todo o ano.

Uma transformação progressiva

Quer em zonas urbanas quer rurais, estes projetos representam apenas a primeira etapa do Plano Nacional de Desenvolvimento 2026-2030. O plano prevê igualmente um comboio de alta velocidade de 640 quilómetros ligando Abidjan a Yamoussoukro, Bouaké, Korhogo e Ferkessédougou, bem como a expansão da rede rodoviária.

A Costa do Marfim contava com cerca de 8 500 quilómetros de estradas pavimentadas em 2024 e pretende atingir 15 000 até 2030, enquanto a rede de autoestradas deverá passar de 400 para 700 quilómetros. Entre os projetos incluem-se a autoestrada do Oeste, entre Yamoussoukro e Daloa, e várias infraestruturas destinadas a ligar zonas agrícolas.

O principal desafio será a mobilização de financiamento. O plano depende em cerca de 70% do setor privado e de parcerias público-privadas, e o Estado organiza em Abidjan, nos dias 8 e 9 de julho, um grupo consultivo de financiadores para concluir a sua estrutura financeira. O TGV, o projeto mais dispendioso, ainda não está financiado e a sua execução dependerá de questões de rentabilidade, aquisição de terrenos e manutenção da rede.

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