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O Quénia procura 1,2 mil milhões de dólares para o aeroporto de Nairobi, num contexto de crescente concorrência regional

O Quénia procura 1,2 mil milhões de dólares para o aeroporto de Nairobi, num contexto de crescente concorrência regional
Segunda-feira, 22 de Junho de 2026

Enquanto o crescimento do tráfego coloca pressão sobre o Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta, Nairobi tenta relançar um projeto de expansão que se tornou estratégico para manter a sua posição como plataforma aérea regional. Para isso, o Governo conta com o apoio de instituições financeiras regionais.

O Quénia mandatou o Trade and Development Bank (TDB) e a Africa Finance Corporation (AFC) para estruturar o financiamento da expansão do Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta (JKIA), o principal aeroporto do país. O anúncio foi feito na sexta-feira, 19 de junho, pelo ministro dos Transportes, Davis Chirchir, que indicou que o projeto poderá exigir até 154,2 mil milhões de xelins quenianos, cerca de 1,192 mil milhões de dólares americanos.

Segundo o Governo, o objetivo é aumentar a capacidade anual do aeroporto para 22 milhões de passageiros, contra os atuais 7,5 milhões. O programa prevê a reabilitação das infraestruturas existentes, incluindo pistas e áreas de estacionamento de aeronaves, bem como a construção de um novo terminal de passageiros. De acordo com o ministro dos Transportes, citado pela Reuters, os trabalhos deverão decorrer durante três anos.

Um novo modelo de financiamento

Este novo anúncio surge alguns meses depois de uma primeira tentativa de estruturação do financiamento. Em março passado, o presidente William Ruto afirmou que o Estado já dispunha de um capital inicial para lançar o projeto. Entre 15 e 20 mil milhões de xelins quenianos provenientes da abertura do capital da Kenya Pipeline Company deveriam ser direcionados para o National Infrastructure Fund (NIF), um mecanismo criado para apoiar o financiamento de infraestruturas.

Na altura, o Governo apresentou este fundo como uma ferramenta capaz de permitir o início das obras, reduzindo simultaneamente a necessidade de recurso à dívida pública. No entanto, os valores então mencionados representavam apenas uma parte das necessidades atualmente apresentadas pelas autoridades.

Na nova comunicação, o Governo não esclareceu qual será o papel do National Infrastructure Fund na estrutura financeira final. As autoridades também não detalharam a articulação entre os recursos anteriormente anunciados e o mecanismo agora confiado ao TDB e à AFC.

Uma infraestrutura estratégica num ambiente mais competitivo

A expansão do JKIA ocorre num contexto de crescente concorrência entre as principais plataformas aeroportuárias da África Oriental. Concebido para receber cerca de 8 milhões de passageiros por ano, o aeroporto de Nairobi registou 8,8 milhões de viajantes em 2025. O aumento do tráfego exerce uma pressão crescente sobre as instalações existentes e reforça a urgência dos projetos de modernização.

Na região, vários países estão a investir fortemente nas suas infraestruturas aeroportuárias. O Ruanda continua a construção do novo aeroporto de Bugesera, desenvolvido em parceria com a Qatar Airways e destinado a receber até 14 milhões de passageiros por ano a longo prazo. A Etiópia, por sua vez, iniciou a construção de um novo aeroporto em Bishoftu, cuja capacidade anunciada poderá atingir entre 100 e 110 milhões de passageiros anuais no futuro.

O desafio para o Quénia será concretizar o projeto de expansão dentro dos prazos anunciados. A execução depende agora da finalização do modelo de financiamento, enquanto vários meios de comunicação noticiaram recentemente que a empresa chinesa China Communications Construction Company (CCCC) teria vencido o contrato. As autoridades ainda não comunicaram oficialmente sobre esta parceria.

Louis-Nino Kansoun

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