A Zâmbia está a acelerar a modernização da sua rede ferroviária para apoiar o crescimento do transporte de carga e consolidar o seu papel nos corredores logísticos regionais. Entre a renovação do material circulante e de infraestruturas estratégicas, as autoridades apostam no transporte ferroviário para reforçar a competitividade da economia e facilitar as trocas com os países vizinhos e os portos da África Austral.
A Zambia Railways Limited (ZRL) concluiu um acordo de financiamento de 20 milhões de dólares com a Worldwide Rail and Mining Solutions (WWRMS), com vista à reabilitação, reconstrução ou modernização de seis locomotivas GT de 3600 cavalos de potência. A operação insere-se no programa de revitalização da frota do operador público ferroviário, que enfrenta problemas de disponibilidade de material circulante num contexto de aumento da procura de transporte de carga nos corredores nacionais e regionais.
O projeto prevê concretamente uma revisão completa e uma atualização técnica das seis locomotivas, a fim de restaurar o seu nível de desempenho, melhorar a eficiência energética, aumentar a fiabilidade e prolongar a sua vida útil operacional. Os trabalhos serão realizados na oficina principal da ZRL em Kabwe, de forma progressiva: as duas primeiras locomotivas deverão voltar ao serviço entre maio e junho de 2026, outras duas em agosto, e as duas últimas entre novembro e dezembro. O programa inclui também um componente de transferência de competências e de reforço das capacidades técnicas.
Uma vez prontas, as locomotivas renovadas deverão melhorar a fiabilidade da frota nacional e apoiar o aumento dos fluxos de carga em vários setores económicos estratégicos, nomeadamente a mineração, a agricultura, a energia, a indústria transformadora e o comércio transfronteiriço. Esta iniciativa surge num momento em que a Zâmbia intensifica os investimentos no setor ferroviário, com o objetivo de reforçar a sua posição na competição pelos corredores logísticos na África Austral e na África Oriental.
A assinatura, em novembro de 2025, de um acordo de financiamento de 50 milhões de euros (cerca de 58,1 milhões de dólares) com a União Europeia para modernizar a linha ferroviária Livingstone – Ndola ilustra esta dinâmica. O projeto insere-se na estratégia das autoridades para aumentar o papel do transporte ferroviário na logística nacional. Está prevista, nomeadamente, a renovação e extensão de alguns troços da rede interna, bem como investimentos em corredores transnacionais.
Para além da modernização do eixo Livingstone – Ndola, a Zâmbia e a Tanzânia trabalham também na modernização da TAZARA, a sua rede ferroviária comum. Paralelamente, Lusaka explora o desenvolvimento de um corredor ferroviário tripartido que ligará a Zâmbia, o Zimbabwe e Moçambique, com o objetivo de melhorar o acesso aos portos de Beira e Maputo.
Henoc Dossa













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