Até agora impulsionada pela recuperação pós-pandemia e pela multiplicação das ligações aéreas, a indústria turística africana entra numa nova zona de incerteza. Entre tensões geopolíticas e o aumento dos custos de transporte, várias ambições nacionais poderão ser postas à prova.
Por ocasião do Africa's Travel Indaba 2026, que decorre em Durban de 12 a 14 de maio, o governo sul-africano reafirmou as suas ambições para o setor do turismo, apresentado como uma alavanca essencial de crescimento económico. À margem desta grande montra de marketing turístico africano, Pretória indicou manter o objetivo de atingir 15 milhões de visitantes até 2030, contra 10,5 milhões registados em 2025. Esta projeção mantém-se apesar das tensões que afetam atualmente a aviação civil e das suas potenciais repercussões em setores conexos, incluindo o turismo.
Segundo a ministra do Turismo, Patricia de Lille, o país ambiciona elevar a contribuição do setor para 10% do PIB. Para tal, Pretória aposta nomeadamente nos investimentos em curso na reabilitação de locais turísticos, na construção ou modernização de infraestruturas (hotéis e aeroportos, etc.), bem como em várias reformas destinadas a simplificar as condições de viagem e apoiar a organização de grandes eventos. “A Africa's Travel Indaba posiciona-se como a força motriz desta transformação económica. Já não se trata apenas de vender viagens, mas de construir uma indústria resiliente e inovadora capaz de atravessar ciclos económicos”, afirmou.
Um dos principais destinos turísticos do continente, a África do Sul não escapa, segundo vários especialistas, às ameaças que atualmente pesam sobre a indústria mundial. A subida dos preços do petróleo e os seus efeitos no transporte aéreo já estão a afetar vários segmentos da economia. Para preservar a rentabilidade, várias companhias aéreas africanas e internacionais anunciaram ajustes de rede, incluindo suspensões ou reduções de frequências em certas rotas. É o caso da Turkish Airlines, um dos principais atores do tráfego aéreo em África, que prevê eliminar dez destinos para a temporada de verão de 2026.
Willie Walsh, diretor-geral da International Air Transport Association, estima que um regresso rápido a níveis mais estáveis dos preços do querosene é pouco provável, mesmo em caso de reabertura do estreito de Ormuz. Uma situação que poderá abrandar, a médio prazo, a dinâmica de crescimento do turismo mundial e africano.
A Africa's Travel Indaba 2026 continua a ser uma montra estratégica para toda a cadeia de valor do turismo, abrangendo desde a aviação e o alojamento até à cultura, tecnologias e empreendedorismo comunitário. Segundo o governo sul-africano, a edição de 2025 do evento gerou uma contribuição de 610,6 milhões de rands (cerca de 37,1 milhões de dólares) para o PIB nacional, 45,54 milhões de rands em receitas fiscais e permitiu a manutenção de 1104 empregos.
Henoc Dossa













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