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Hotelaria em África: um pipeline recorde, concentrado em alguns mercados-chave

Hotelaria em África: um pipeline recorde, concentrado em alguns mercados-chave
Terça-feira, 17 de Março de 2026

O mercado hoteleiro africano está em forte crescimento. Dados publicados pela Hotel Management Network indicam que o volume de negócios deverá atingir 15 mil milhões de dólares até 2029, face aos 10,6 mil milhões de dólares em 2024.

O pipeline de desenvolvimento de hotéis de marca em África atingiu um nível recorde, com 675 hotéis e resorts totalizando 123.846 quartos em desenvolvimento no início de 2026, segundo um novo relatório da consultora W Hospitality Group. Com um crescimento anual de 18,6% em valor absoluto e 12,2% em termos comparáveis, estes dados refletem tanto a assinatura de novos projetos como a progressão contínua dos projetos existentes rumo à sua concretização.

O relatório intitula-se Hotel Chain Development Pipelines in Africa 2026”. Os seus resultados serão apresentados em detalhe durante o Future Hospitality Summit Africa 2026, que terá lugar em Nairobi de 31 de março a 1 de abril de 2026.

Os números globais indicam um clima de confiança. As cadeias hoteleiras internacionais estão a investir no continente a um ritmo nunca antes observado. No entanto, quando os dados são segmentados por país e por fase de construção, o quadro torna-se mais nuançado: os investimentos permanecem fortemente concentrados num pequeno número de mercados consolidados, as taxas de execução variam entre regiões e mantém-se uma diferença entre as ambições anunciadas e os quartos efetivamente construídos.

O Egito à frente

O dado mais marcante do relatório é a dominação do Egito. Com 185 hotéis e 45.984 quartos em pipeline, o país representa mais de um terço de toda a capacidade hoteleira planeada em África — uma quota mais de quatro vezes superior à de Marrocos, segundo mercado do ranking, com 75 hotéis e 10.606 quartos. Juntos, Egito e Marrocos representam mais de 45% dos quartos em desenvolvimento no continente, e o seu peso continua a aumentar à medida que estes dois mercados atraem novos projetos.

O Egito, por si só, assinou 39 novos contratos hoteleiros no último ano e deverá registar 33 aberturas de hotéis em 2026, um volume de atividade sem paralelo em África. Este avanço reflete anos de investimentos públicos em infraestruturas turísticas, uma base doméstica de turismo significativa e em crescimento, assim como a expansão contínua das destinações balneares do Mar Vermelho, que atraem viajantes internacionais.

Os dados mostram claramente que a história do desenvolvimento hoteleiro em África é impulsionada por um pequeno número de mercados de alto desempenho — com o Egito claramente à frente em novos contratos e aberturas previstas”, destaca Trevor Ward, CEO da W Hospitality Group.

O Nigéria ocupa o terceiro lugar, com 57 hotéis e 8.480 quartos, seguida do Quénia (35 hotéis, 6.190 quartos) e da Etiópia (34 hotéis, 5.964 quartos). Cabo Verde ocupa a sexta posição com 17 hotéis, mas apresenta uma média elevada de 255 quartos por estabelecimento, refletindo projetos de resorts turísticos de grande dimensão.

Os dez principais mercados, que incluem também Tunísia, Tanzânia, África do Sul e Gana, concentram 79% de todos os quartos em desenvolvimento e mais de 75% dos novos contratos. Os outros 44 países africanos repartem pouco mais de um quinto da atividade de desenvolvimento hoteleiro do continente.

África Oriental: onde os projetos se tornam edifícios

Os números do pipeline contam apenas parte da história. Os dados sobre o estado de avanço das obras revelam outra realidade. Neste aspeto, a África Oriental surge como a região mais dinâmica do continente, não em volume, mas em capacidade de execução.

A Etiópia lidera entre os grandes mercados: 79,9% dos quartos do seu pipeline estão já em construção ativa. O Quénia segue com 79,5% e a Tanzânia com 77,5%. Estes três países deverão, portanto, entregar uma parte significativa da sua nova oferta num horizonte relativamente curto, geralmente entre 18 e 36 meses entre o início das obras e a abertura.

O contraste é notório com outros mercados importantes. Na Nigéria, apesar do terceiro lugar em volume de quartos previstos, apenas 39,2% dos projetos estão em construção, o que significa que cerca de 60% do pipeline permanece em fase de planeamento, design ou pré-construção. Cabo Verde apresenta uma diferença ainda maior: apenas 8,6% dos quartos previstos estão atualmente em construção, sugerindo que a maior parte do seu ambicioso programa de resorts turísticos ainda está no papel.

O ritmo de construção na África Oriental explica-se pela convergência de vários fatores: forte apoio governamental ao turismo, ecossistema de investimento hoteleiro maduro no Quénia, investimentos públicos em infraestruturas na Etiópia relacionados com o papel crescente de Adis Abeba como hub regional, e a recuperação do mercado de safaris e resorts no Índico na Tanzânia.

Cinco grupos controlam 80% do mercado

No que diz respeito aos operadores, o pipeline continua fortemente concentrado nas mãos das grandes cadeias internacionais. A Marriott International lidera com 31.782 quartos comprometidos no continente, seguida da Hilton e da Accor, segunda e terceira respetivamente.

As cinco maiores cadeias internacionais — Marriott, Hilton, Accor, IHG Hotels & Resorts e Radisson Hotel Group — representam cerca de 80% de todos os hotéis e quartos em desenvolvimento em África. Esta concentração reflete a mesma dinâmica observada a nível nacional: um pequeno número de atores dominantes capta a maioria dos novos projetos, enquanto operadores independentes ou de médio porte ocupam uma parte significativamente menor da oferta planeada.

Pipeline recorde, mas aberturas incertas

Apesar deste pipeline recorde, o relatório alerta para cautela quanto aos prazos de entrega. Mais de 65.000 quartos deverão abrir em África em 2026 e 2027. Contudo, a experiência mostra que as aberturas efetivas são frequentemente inferiores às previsões, devido a atrasos de construção, dificuldades de financiamento, obstáculos regulatórios ou cancelamentos de projetos.

Além disso, 124 hotéis — representando 22.631 quartos — ainda não têm data de abertura confirmada, e alguns poderão nunca concretizar-se na sua forma atual.

A diferença entre ambições e realizações continua a ser uma característica estrutural do desenvolvimento hoteleiro africano. O pipeline recorde constitui um sinal real de confiança dos investidores no potencial turístico de longo prazo do continente, enquanto África regista o crescimento mais rápido do mundo em chegadas de turistas internacionais. No entanto, as diferenças de ritmo de construção entre mercados significam que a nova oferta chegará de forma desigual, tanto geográfica como temporalmente. As altas taxas de construção na África Oriental sugerem, contudo, que a região poderá ser das primeiras a transformar estes projetos em hotéis efetivamente abertos.

Idriss Linge

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