O contrato relativo ao projeto tinha sido atribuído em 2015 à China Harbour Engineering Company, antes de ser cancelado devido à incapacidade da empresa em mobilizar financiamento junto do governo chinês. Em outubro de 2024, foi assinado um novo contrato com o grupo de construção turco Yapi Merkezi.
O Uganda anunciou, na quinta-feira, 16 de abril, ter mandatado o banco norte-americano Citibank para organizar a mobilização dos financiamentos necessários à construção da linha férrea de bitola standard (SGR), que deverá ligar a capital Kampala à fronteira com o Quénia, num investimento de 2,7 mil milhões de euros (3,19 mil milhões de dólares).
«O Uganda encarregou o Citibank de atuar como principal organizador e coordenador do financiamento necessário ao projeto ferroviário SGR», declarou o secretário permanente do Ministério das Finanças do Uganda, Ramathan Ggoobi, durante uma reunião entre os ministros das Finanças do Uganda, do Quénia e do Ruanda, realizada em Washington, à margem das reuniões de primavera de 2026 do FMI e do Banco Mundial.
O Sr. Ggoobi também indicou que o Uganda iniciou conversações com o Banco Mundial com vista a obter apoio para este projeto, sublinhando que o SGR é uma iniciativa-chave que permitirá melhorar a conectividade regional, reduzir os custos de transporte de mercadorias e reforçar a competitividade comercial.
Uma grande interconexão regional em perspetiva
O Uganda tinha atribuído em 2015 o contrato de construção da ferrovia à China Harbour Engineering Company (CHEC), sob a condição de que o financiamento necessário fosse mobilizado junto do governo chinês. No entanto, devido à lentidão do processo de financiamento, o governo ugandês cancelou a adjudicação ao grupo chinês em janeiro de 2023, antes de assinar, em outubro de 2024, um novo contrato com o grupo de construção turco Yapi Merkezi para a construção da linha que liga Kampala à cidade de Malaba, na fronteira com o Quénia. O projeto deverá ligar o Uganda, país sem litoral, à rede ferroviária do seu vizinho queniano e ao porto marítimo de Mombaça, no oceano Índico.
Em março passado, o presidente queniano William Ruto lançou a primeira pedra de uma nova fase do SGR do Quénia, que ligará a cidade de Naivasha a Kisumu. A fase seguinte prolongará a linha até à fronteira com o Uganda. Atualmente, o troço queniano do SGR liga, desde 2019, o porto de Mombaça à capital Nairobi e depois à cidade lacustre de Naivasha.
A longo prazo, o Quénia e o Uganda esperam que a linha ferroviária chegue a outros países sem litoral, como o Ruanda, o Sudão do Sul e a República Democrática do Congo (RDC), criando uma grande interconexão regional capaz de impulsionar o comércio na África Oriental e Central.
Walid Kéfi













Abidjan, Côte d’Ivoire