O setor automóvel sul-africano, pilar industrial do país e o mais desenvolvido do continente, representa cerca de 5% do PIB nacional e atrai um número crescente de investidores internacionais interessados em beneficiar do crescimento do mercado.
O fabricante indiano Mahindra & Mahindra está atualmente a considerar a instalação de uma linha de produção em regime «completely knocked down» (CKD) na sua unidade situada perto da cidade portuária de Durban.
Isto significa que os veículos seriam enviados para a África do Sul em peças totalmente desmontadas para serem montados localmente.
Este novo polo de fabrico representaria uma mudança face ao modelo em vigor desde 2018, baseado no sistema «semi-knocked down» (SKD), no qual os veículos chegam da Índia sob a forma de grandes subconjuntos já parcialmente montados.
Segundo a Bloomberg, que cita fontes não identificadas, o grupo indiano está em conversações com a Industrial Development Corp (IDC), instituição pública de financiamento do desenvolvimento, para avaliar a viabilidade do projeto.
A empresa pretende assim responder à crescente procura por veículos acessíveis num mercado onde o segmento de gama média está em forte expansão.
A marca, já presente com o seu modelo Pik Up, popular nas zonas rurais, pretende posicionar-se como parceiro industrial de longo prazo das autoridades sul-africanas, num contexto em que o país procura atrair investimentos para este setor industrial dinâmico.
Em 2025, o mercado automóvel sul-africano atingiu o seu nível mais alto em mais de uma década, com 596 818 veículos novos vendidos, um aumento de 15,7% face a 2024 e um regresso a níveis superiores aos registados antes da pandemia.
Os automóveis de passageiros lideraram a recuperação, com um crescimento de 20,1% para 422 292 unidades. O Conselho da Indústria Automóvel (Naamsa) prevê ainda um aumento adicional de 9% a 11% em 2026, impulsionado pela redução da inflação e pelo afrouxamento gradual da política monetária.
Um mercado competitivo
Este projeto insere-se numa estratégia mais ampla do grupo, que pretende reforçar a sua presença num contexto de forte concorrência impulsionada pelos fabricantes chineses. Pressionados pela guerra de preços no seu mercado interno e por barreiras crescentes na Europa e nos Estados Unidos, os construtores chineses têm vindo a expandir-se rapidamente na África do Sul.
Cerca de quinze marcas chinesas já operam no país, tanto na montagem como na distribuição, ao lado de gigantes históricos como Volkswagen, Toyota ou Mercedes-Benz.
Em abril passado, o fabricante chinês Chery assinou um acordo para adquirir a fábrica sul-africana da Nissan em Rosslyn, perto de Pretória, assumindo o controlo de um site histórico de produção de pick-ups há quase sessenta anos. A partir de meados de 2026, terrenos, edifícios e equipamentos deverão passar para a Chery South Africa, sujeitando-se à aprovação regulatória, com capacidade para produzir para o mercado local e potencialmente para toda a África Austral.
Espoir Olodo













Abidjan, Côte d’Ivoire