Impulsionado pela exploração do jazigo de Simandou, o setor ferroviário da Guiné entra numa nova fase de estruturação, entre ambições industriais e reorganização das mobilidades, num contexto de investimentos avultados e desafios económicos.
Na Guiné, a implementação de comboios de passageiros e de mercadorias no âmbito do projeto Simandou está a acelerar, com o início da construção das primeiras estações ferroviárias. A sua entrega está prevista para o final de 2026, segundo Barry Mamoudou Nagnalen, presidente do Conselho de Administração da Companhia do TransGuineense (CTG).
O responsável precisou que os compromissos contratuais concedem à CTG um prazo máximo de dois anos para tornar operacionais as estações destinadas a passageiros e carga. No entanto, o calendário poderá ser antecipado. «Os comboios e os vagões, distintos para passageiros e mercadorias, já estão disponíveis. Alguns já estão em utilização, mas o serviço só será aberto ao público em geral após a conclusão das estações», explicou.
Ao todo, estão previstas 10 estações distribuídas pelas diferentes prefeituras do país. Algumas serão dedicadas ao transporte de passageiros, outras ao transporte de mercadorias, com o objetivo de promover uma transferência gradual do tráfego rodoviário para o ferroviário e estruturar um sistema de transporte multimodal.
Projeto estruturante para a economia guineense, o TransGuineense prevê a construção de uma rede ferroviária de cerca de 650 km, ligada aos portos mineiros situados em Forécariah. A infraestrutura visa sobretudo facilitar a exportação do minério de ferro do jazigo de Simandou, cuja fase de exploração foi oficialmente lançada em novembro de 2025. Vários troços da rede já estão concluídos.
Em outubro de 2025, as autoridades e os parceiros do projeto apresentaram as primeiras locomotivas destinadas à exploração da linha. Segundo uma nota recente da TransGuineense, a rede deverá assegurar até duas viagens de ida e volta diárias para passageiros, contribuindo para melhorar a mobilidade interna.
Apesar destes avanços, vários desafios continuam a persistir, nomeadamente a coordenação entre os diferentes intervenientes, a conclusão das infraestruturas associadas (condicionamentos técnicos, acessos rodoviários, entre outros), bem como questões relacionadas com a manutenção dos equipamentos e a formação do pessoal.
Henoc Dossa













Abidjan, Côte d’Ivoire