A aproximação entre Abuja e o grupo emiradense AD Ports reflete o interesse crescente dos grandes operadores portuários do Golfo pela África Ocidental. A concretização desta parceria anuncia um novo impulso nas cadeias logísticas regionais, marcadas por uma concorrência acrescida entre portos e por uma corrida a investimentos estruturantes.
A Nigéria assinou, na semana passada, um protocolo de entendimento com o grupo emiradense AD Ports para explorar oportunidades de investimento e de desenvolvimento nos seus portos e no seu ecossistema marítimo, incluindo serviços logísticos, zonas económicas especiais e plataformas comerciais digitais. Este acordo, que se insere igualmente no prolongamento do Acordo de Parceria Económica Global (CEPA) recentemente concluído com os Emirados Árabes Unidos, deverá permitir, segundo as autoridades, reforçar a capacidade do país para desempenhar um papel de hub regional, capaz de captar e redistribuir os fluxos comerciais para toda a África Ocidental.
Para além de um simples acordo de cooperação, esta iniciativa evidencia, segundo alguns analistas, uma estratégia que visa utilizar a Nigéria como ponto de ancoragem para uma penetração progressiva do mercado portuário da África Ocidental. A AD Ports poderá apoiar-se numa presença africana já alargada para estruturar esta ambição regional. Solidamente implantado no Egito, o grupo expandiu gradualmente as suas atividades para a África Oriental, onde assegura a exploração e a gestão do Terminal de Contentores 2 (CT2) do porto de Dar es Salaam, na Tanzânia, um dos principais hubs marítimos da região.
Na África Central, obteve concessões na República do Congo e em Angola para o desenvolvimento e a exploração de terminais polivalentes e de contentores nos portos de Pointe-Noire e de Luanda. Caso a parceria com a Nigéria produza resultados concretos, poderá contribuir para redesenhar os equilíbrios logísticos na África Ocidental. Um reforço dos portos nigerianos, apoiado por investimentos emiradenses e por soluções digitais, aumentaria a capacidade do país para captar fluxos regionais, intensificando a concorrência com os portos vizinhos do Golfo da Guiné.
Recorde-se que o governo nigeriano está a implementar um plano de investimentos superior a mil milhões de dólares norte-americanos para modernizar os seus principais portos. Este roteiro visa resolver problemas estruturais do setor marítimo, nomeadamente a persistente congestão observada nas plataformas de Apapa e de Tin Can Island. Estas limitações operacionais favoreceram, nos últimos anos, o desvio de tráfego para plataformas vizinhas como Cotonou e Lomé, reduzindo a atratividade logística do gigante da África Ocidental, apesar do seu peso económico regional.
Importa sublinhar que esta iniciativa permanece, nesta fase, um simples protocolo de entendimento. A concretização de qualquer ambição regional dependerá das etapas operacionais que vierem a resultar das discussões em curso.
Henoc Dossa













Marrakech. Maroc