Angola: a TAAG e o Standard Bank lançam crédito para compra de passagens aéreas
A acessibilidade ao transporte aéreo em África continua a ser um desafio central para a mobilidade e a integração regional. Os desvios persistentes entre as promessas políticas e a realidade tarifária levantam questões sobre a eficácia dos instrumentos atualmente utilizados.
A companhia aérea nacional angolana TAAG anunciou a celebração de uma parceria com o Standard Bank, destinada a permitir a compra de passagens aéreas a crédito para voos nacionais e internacionais. A iniciativa visa facilitar um acesso mais amplo ao transporte aéreo para os angolanos, ao mesmo tempo que contribui para o reforço da interligação aérea do país.
O serviço, reservado aos clientes do Standard Bank, baseia-se num mecanismo de pré-financiamento bancário das viagens, com duração de até seis meses e sem juros. A fórmula procura responder ao principal obstáculo ao desenvolvimento do transporte aéreo no continente: o elevado custo das passagens.
Segundo a Associação das Companhias Aéreas Africanas (AFRAA), os preços atuais tornam este modo de transporte inacessível para grande parte da população de baixos rendimentos. Este nível explica-se, nomeadamente, pelo peso das taxas e sobretaxas aeroportuárias, acrescido dos custos operacionais elevados (manutenção, combustível, seguros), que as companhias repercutem nos passageiros.
Na África Ocidental, as taxas e sobretaxas podem representar até 50% do preço final de uma passagem. Para contornar esta situação, a CEDEAO decidiu eliminar as taxas não diretamente ligadas ao transporte e aplicar uma redução de 25% nas sobretaxas de passageiros e de segurança. Segundo especialistas parlamentares da organização regional, a implementação efetiva destas medidas poderia reduzir até 40% o preço das passagens e aumentar a procura em 20 a 30%.
No entanto, esta reforma, prevista para entrar em vigor a partir de 1 de janeiro de 2026, tem tido dificuldade em se materializar na prática. A análise da evolução dos preços no Google Flight desde dezembro de 2025 mostra apenas variações sazonais, sem redução significativa em linha com as projeções da CEDEAO. Por exemplo, uma passagem Cotonou–Abidjan operada pela Air Côte d’Ivoire custava cerca de 257.000 FCFA (aprox. 458,5 USD) há cerca de um mês, contra 255.000 FCFA em 21 de janeiro de 2026.
Para vários observadores, esta situação revela uma falta de vontade política. Os Estados da região têm atrasado a adoção dos textos regulamentares necessários para a eliminação efetiva das taxas e sobretaxas, retardando assim os efeitos esperados na acessibilidade do transporte aéreo.













Marrakech. Maroc