Angola reforça a sua rede ferroviária para apoiar a integração económica do interior do país e o seu posicionamento nos corredores comerciais regionais. Com a extensão da rede para zonas de elevado potencial mineiro e comercial, Luanda poderá consolidar o seu papel de hub logístico na África Austral.
O Ministério dos Transportes de Angola deu oficialmente início, na terça-feira, 27 de janeiro de 2025, à construção da nova linha secundária do Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB). Esta extensão estratégica ligará as cidades de Luena, na província do Moxico, e Saurimo, na província da Lunda-Sul, ao longo de um traçado de cerca de 260 km.
Segundo as autoridades angolanas, este projeto de infraestrutura visa reforçar a conectividade da região oriental do país, uma área ainda insuficientemente servida pelas redes de transporte. O objetivo é dinamizar o comércio interno e transfronteiriço, bem como aumentar os fluxos de mercadorias.
A construção do troço foi atribuída à empresa brasileira Odebrecht, por um montante estimado em 1,16 mil milhões de dólares norte-americanos. O projeto insere-se no Plano Diretor Nacional do Sector dos Transportes e das Infraestruturas Rodoviárias (PDNSTIR), bem como no Plano de Expansão da Rede Ferroviária Nacional, que definem as prioridades de investimento para a modernização do sistema ferroviário e para responder à crescente procura de mobilidade de bens e pessoas.
O novo troço será integrado no Corredor do Lobito, um eixo logístico regional de importância estratégica na África Austral, cuja modernização envolve vários parceiros internacionais, incluindo os Estados Unidos e a União Europeia. Ao facilitar a circulação de mercadorias de e para o interior do continente, este corredor deverá reforçar a competitividade comercial da região e atrair mais investimentos.
De acordo com a visão do governo angolano, estas obras fazem parte de uma dinâmica mais ampla de transformação das infraestruturas, antecipando volumes elevados de tráfego. A ambição é posicionar Angola como uma plataforma logística ao serviço das economias vizinhas, nomeadamente de países sem litoral como a República Democrática do Congo e a Zâmbia.
Este desenvolvimento ferroviário está também ligado a um importante desafio económico: acelerar a diversificação da economia angolana, historicamente dependente das receitas petrolíferas.
Henoc Dossa












