Enquanto o desemprego juvenil atinge 21,6 % no Malawi entre os 15 e os 35 anos, segundo o Inquérito à População Ativa de 2024, o acesso limitado ao ensino superior continua a ser um obstáculo ao desenvolvimento do capital humano do país.
A Malawi University of Business and Applied Sciences (MUBAS) está a levar a cabo uma reformulação da sua organização académica. A universidade pública anunciou, na terça-feira, 31 de março, a implementação de dois períodos letivos anuais, que terão lugar em janeiro e agosto. O objetivo declarado é atingir entre 30 e 35 programas e cerca de 2.500 estudantes até 2029, de forma a responder tanto à elevada procura por ensino superior como às falhas de um sistema que penaliza os estudantes reprovados.
Apresentada ao ministro da Educação, Bright Msaka (foto, à esquerda), pela vice-reitora Nancy Chitera (foto, ao centro), durante uma visita oficial a Lilongwe, esta reforma assenta num calendário totalmente semestral. Ela corrige uma insuficiência do antigo sistema, no qual um estudante reprovado numa disciplina tinha de repetir o ano inteiro. A partir de agora, sessões do Senado académico serão organizadas no final de cada semestre, permitindo aos estudantes em recuperação realizarem rapidamente exames de recurso e prosseguir os seus estudos sem interrupções.
Uma reforma educativa e estrutural
Para acompanhar este aumento da capacidade, a MUBAS está também a adaptar as suas infraestruturas. A universidade planeia converter entre 700 e 900 alojamentos existentes em residências estudantis, o que permitiria acolher 320 estudantes adicionais, segundo a direção.
O governo apoia a iniciativa, estabelecendo, contudo, limites de segurança. O ministro sublinha a necessidade de conciliar a massificação com a qualidade, apelando a que se «tenha sucesso académico sem comprometer os padrões educativos». Exorta também a universidade a manter os custos de alojamento acessíveis para preservar a acessibilidade.
Estas reformas visam responder a um desequilíbrio estrutural no mercado de trabalho. Segundo o Copenhagen Consensus Center, um quarto dos jovens malawitas encontra-se em subemprego e a grande maioria ocupa posições de baixa qualificação, incluindo entre os diplomados do ensino superior. Mais de 40 % dos jovens considerados altamente qualificados trabalham em atividades pouco produtivas, muitas vezes informais.
Para referência, o Malawi segue o modelo educativo 8-4-4, que compreende oito anos de ensino primário, quatro anos de ensino secundário e quatro anos de ensino superior. Resta saber se a universidade conseguirá recrutar o corpo docente adicional necessário e manter a qualidade das formações num contexto de massificação.
Félicien Houindo Lokossou













Bamako