Perante uma vulnerabilidade climática que ameaça a sua economia agrícola e a segurança alimentar, a Etiópia aposta na investigação científica para criar um escudo contra as alterações climáticas.
O país pretende transformar as suas universidades num baluarte contra as mudanças climáticas. Esta foi a principal orientação da primeira assembleia geral do Fórum Etíope das Universidades para a Ação Climática, realizada a 31 de março de 2026 em Adis Abeba. Segundo a Ethiopian News Agency (ENA), o evento reuniu decisores públicos e responsáveis universitários em torno de um mesmo entendimento: face aos riscos climáticos, é urgente produzir soluções concretas.
O fórum constitui uma plataforma inédita de coordenação entre os setores político e académico. O objetivo é estruturar uma resposta científica nacional às alterações climáticas. O ministro de Estado para o Planeamento e Desenvolvimento, Seyoum Mekonnen, definiu desde logo a meta: instou as instituições de ensino superior a conceber soluções científicas e práticas, recordando que uma economia verde e resiliente é um eixo central da política nacional.
Os esforços já em curso ilustram esta ambição, com o plantio de mais de 48 mil milhões de jovens plantas no âmbito da Iniciativa para um Legado Verde. Para Mekonnen, este espaço de concertação representa «uma plataforma chave para reforçar os laços entre decisores públicos e instituições académicas». Samuel Kifle, presidente interino da Universidade de Adis Abeba, partilha esta visão e defende «investigações aplicadas, orientadas para resultados concretos».
Transformar o conhecimento académico em soluções práticas no terreno
A urgência é real: a Etiópia continua altamente exposta aos impactos das alterações climáticas, devido à sua forte dependência da agricultura de sequeiro. Este setor representa 34% do PIB, 75% das receitas de exportação e 73% do emprego, segundo dados governamentais de 2022.
Uma seca de intensidade moderada basta para reduzir 15% do crescimento da receita agrícola e aumentar a pobreza em 13,5%, segundo um relatório do Banco Mundial de 2020. Desde os anos 1960, a temperatura aumentou cerca de 1 °C e as precipitações diminuíram 20% na região Centro-Sul. Os episódios extremos, tanto secas como inundações, tornaram-se regra.
Uma abordagem estratégica num contexto de urgência
O contexto internacional aumenta a pressão. O país será anfitrião da COP32 das Nações Unidas em 2027, em Adis Abeba, decisão aprovada na COP30 em Belém, Brasil. A Etiópia terá de demonstrar que o seu compromisso climático se traduz em ações concretas. Ainda assim, segundo a Agência Francesa de Desenvolvimento, em 2022 o país ocupava apenas o 101.º lugar entre 181 países no Índice Global de Riscos, com um PIB per capita estimado de 1 320 dólares em 2024.
O potencial humano existe. Em 2023-2024, a Etiópia contava com 46 universidades públicas e 275 instituições privadas, acolhendo mais de 1,1 milhões de estudantes, contra 210 mil em 2006-2007. Contudo, cerca de 150 mil licenciados saem anualmente com competências consideradas inadequadas para o mercado de trabalho formal.
Félicien Houindo Lokossou













Bamako