Rússia anuncia programa de formação de engenheiros no Burkina Faso com foco nos setores de energia, mineração e tecnologia digital.
Meta é reforçar as capacidades técnicas locais e apoiar a soberania energética no Sahel até o final de 2025.
Em um cenário de intensa transformação industrial e tecnológica na África, o desenvolvimento de competências locais em setores-chave como energia, digital e engenharia torna-se estratégico para apoiar a expansão e inovação.
O Vice-Ministro Russo da Energia, Roman Marshavin, anunciou o lançamento de um programa piloto de ensino e formação de engenharia no Burkina Faso, a ser concluído até o final de 2025. O anúncio foi feito durante o Diálogo Rússia-África sobre Matérias-Primas, realizado entre 29 de outubro e 1º de novembro em São Petersburgo. Segundo ele, a iniciativa tem como objetivo fortalecer as capacidades técnicas locais e apoiar a soberania energética de longo prazo na região do Sahel.
Detalhes exatos sobre o programa ainda não são conhecidos. Ele deve ter início no Burkina Faso antes de se expandir para outros países do Sahel. De acordo com Roman Marshavin, o projeto será focado na formação de engenheiros nas áreas nuclear, de petróleo e gás, bem como mineração, com o intuito de desenvolver uma expertise local capaz de usar e aperfeiçoar tecnologias modernas nestes setores.
"A Rússia e os países africanos possuem um potencial significativo em recursos. As empresas russas contam com a capacidade tecnológica necessária para atender às crescentes necessidades da África nas áreas industriais e energéticas. Esta iniciativa despertou grande interesse entre outros parceiros africanos", afirmou o Vice-Ministro.
Tatiana Dovgalenko, diretora do Departamento de Parcerias com a África no Ministério Russo das Relações Exteriores, indicou que o projeto faz parte de uma abordagem mais ampla de cooperação russo-africana em matérias-primas e desenvolvimento econômico. Ela lembra que a África, com seus 1,5 bilhão de habitantes e mais da metade de seus jovens com menos de 20 anos, busca valorizar esse capital humano para fortalecer sua soberania industrial.
Essa cooperação acontece em um contexto em que a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) identifica que a educação em Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM) é uma questão crucial para a África. Em um relatório publicado em 2023, a agência indicou a necessidade de aproximadamente 23 milhões de diplomados adicionais em STEM até 2030 para atender às demandas previstas nas áreas de engenharia, saúde, tecnologia da informação, entre outras.
Félicien Houindo Lokossou












