Face a um elevado desemprego juvenil e à predominância do setor informal, a Mauritânia intensifica o seu apoio às PME para estruturar a economia, estimular o crescimento e promover a criação de empregos sustentáveis em maior escala.
O governo mauritano anunciou a intenção de apoiar as PME para gerar mais empregos. Nesse contexto, o país inaugurou, na quinta-feira, 2 de abril, um balcão de empreendedorismo em Nouakchott. O ministro do Empoderamento Juvenil, Emprego, Desportos e Serviço Cívico, Mohamed Abdallahi Ould Louly, e o seu homólogo dos Assuntos Económicos e do Desenvolvimento, Abdallahy Souleimane Cheikh Sidiya, presidiram à cerimônia de inauguração.
Este balcão está sob a alçada da Agência Nacional de Emprego (Techghil). Ele facilita o acesso das PME ao financiamento, orienta os empreendedores e ajuda na constituição dos seus dossiers. Foram assinados três acordos, que visam financiar 1000 empresas, facilitar o acesso ao crédito bancário e apoiar a formação especializada.
Segundo a Agência Mauritana de Notícias, o dispositivo está a ser implementado de forma concreta. O balcão oferece acompanhamento direto aos promotores de projetos, com o objetivo de reforçar as suas capacidades técnicas e financeiras. O ministro destacou o papel central das PME: «As PME representam até 80% dos empregos nas economias em desenvolvimento», afirmou. O programa insere-se numa visão mais ampla de empoderamento juvenil e desenvolvimento económico, visando prioritariamente iniciativas locais.
Esta iniciativa surge num contexto em que o ecossistema das PME na Mauritânia continua frágil. Segundo um relatório do Banco Mundial, em 2025, mais de 90% do emprego é informal, o que limita a produtividade e a formalização das empresas. O desemprego juvenil (15-24 anos) atingiu 22,92% no mesmo ano. Segundo o Afrobarometer, quase metade (47%) dos jovens entre 18 e 35 anos não tem emprego, mas procura ativamente um. Esta taxa é ligeiramente superior à média nacional (44%). A taxa de NEET (jovens sem emprego, nem educação, nem formação) é de 44,1%.
Félicien Houindo Lokossou













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