Face às dificuldades de acesso à formação técnica e ao desfasamento entre o ensino superior e as necessidades do mercado de trabalho, as iniciativas privadas ganham cada vez mais importância. Em Uganda, um operador de telecomunicações aposta na formação para reforçar a empregabilidade dos jovens.
A Airtel Africa Foundation anunciou, na quinta-feira, 5 de fevereiro, a atribuição de bolsas de estudo totalmente financiadas a 20 estudantes talentosos, no valor total de 3,85 mil milhões de shillings ugandeses, cerca de 1 milhão de dólares. Segundo a imprensa local, os beneficiários irão frequentar cursos superiores em áreas ligadas às tecnologias de informação e comunicação, um setor-chave para a transformação económica do país.
Estas bolsas integram o programa “Airtel Africa Tech Fellowship”, concebido para superar «os obstáculos financeiros e as lacunas de competências que limitam a participação dos jovens africanos na economia digital». A seleção privilegiou estudantes com resultados académicos sólidos e elevado potencial nas disciplinas tecnológicas. Os beneficiários irão integrar várias universidades ugandesas reconhecidas pelas suas formações em tecnologias de informação e comunicação, incluindo a Makerere University e a Kyambogo University.
«A tecnologia é a linguagem do progresso e, ao dotar estes estudantes de educação e competências, investimos em pessoas e soluções que irão transformar comunidades, indústrias e nações», afirmou Soumendra Sahu, diretor-geral da Airtel Uganda, durante a cerimónia oficial de entrega das bolsas.
Investir mais nas competências locais
Para a Airtel Africa Foundation, o objetivo vai além do apoio individual: trata-se de criar um banco de talentos locais capaz de responder às crescentes necessidades do setor digital. O relatório “Africa’s Development Dynamics 2024”, da OCDE, sublinha que a África necessita de profissionais qualificados para apoiar o seu desenvolvimento tecnológico.
Esta iniciativa surge num contexto em que o acesso ao ensino superior continua limitado em Uganda, apesar de alguns progressos na educação básica. Segundo o último Uganda National Household Survey (2023/24), a inscrição no ensino secundário mantém-se baixa, com uma taxa bruta de cerca de 34% e uma taxa líquida de apenas 23% entre os jovens em idade escolar, refletindo fortes barreiras à progressão para o superior.
Ao mesmo tempo, os dados disponíveis revelam que apenas 5,7% da população com 10 anos ou mais atingiu um nível pós-secundário, evidenciando a escassez de graduados. Mesmo com um aumento de cerca de 17% no número de estudantes inscritos em nove universidades públicas, a procura continua a superar largamente a oferta, dificultando o acesso dos jovens mais ambiciosos a uma formação qualificada.
Félicien Houindo Lokossou













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