Face à uma escassez crónica de professores qualificados em ciências que prejudica os resultados escolares, a Costa do Marfim toma uma medida excecional para reforçar o seu corpo docente no ensino secundário geral.
Na Costa do Marfim, o Ministério da Educação Nacional, Alfabetização e Ensino Técnico (MENAET) anunciou, na segunda-feira, 9 de março, o lançamento de dois concursos de recrutamento excecionais destinados a preencher 2 000 postos de professores contratados de ciências no ensino secundário geral. O primeiro concurso destina-se a 1 364 postos para os colégios, incluindo 1 078 professores contratados de matemática bivalente e 286 professores contratados de física-química/biologia bivalente.
O segundo concurso destina-se a preencher 639 postos para os liceus, distribuídos entre 418 em matemática e 218 em física-química. Os candidatos têm até 15 de março de 2026 para se inscreverem online no site oficial do Instituto Pedagógico Nacional de Ensino Técnico e Profissional (IPNETP).
Para os postos de liceu, os candidatos devem ser de nacionalidade marfinense, nascidos entre 31 de dezembro de 1981 e 31 de dezembro de 2005, possuir um bacharelato científico (séries C, D, E ou F) e um diploma de nível Bac+2 em ciências puras ou em matemática-informática. Para os colégios, o recrutamento está aberto a candidatos nascidos a partir de 1984, com bacharelato científico e nota mínima de 10/20 na disciplina do concurso.
Após a admissibilidade, os candidatos deverão entregar um dossiê físico incluindo carta de motivação, diplomas legalizados, certidão de registo criminal com menos de três meses, certificado de nacionalidade e cópia do cartão CMU. Uma avaliação médica atestando a aptidão para o exercício da função docente será organizada aquando da entrega dos dossiês, indica o comunicado oficial do MENAET.
Um recrutamento massivo face a um défice estrutural
Este recrutamento de emergência surge num contexto educativo sob pressão. Entre os anos escolares 2017-2018 e 2023-2024, o número de estabelecimentos secundários mais do que duplicou, passando de 1 778 para 3 590, enquanto o número de alunos aumentou de 1 923 763 para 3 214 615, segundo o portal oficial da economia da Costa do Marfim.
Este aumento exponencial de alunos não foi acompanhado por um recrutamento suficiente de professores qualificados, o que pesa diretamente sobre a qualidade do ensino. Segundo a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), seriam necessários 11,1 milhões de professores adicionais no secundário na África subsaariana para atingir os objetivos da Agenda 2030, numa região onde 90% dos países enfrentam graves carências. Ao optar pelo estatuto contratual em vez de titular, Abidjan procura responder rapidamente à urgência, ao mesmo tempo que controla a massa salarial pública, uma equação delicada enfrentada pela maioria dos países da região.
Félicien Houindo Lokossou













Kitwe - « Promoting Equitable Investment Partnerships, Intra-Regional Mineral Value Chains & Renewable Energy to Catalyse Zambia’s Sustainable Economic Growth »