Apesar do rápido crescimento da economia digital em África, o acesso das mulheres a formações e oportunidades profissionais continua limitado. Elas permanecem pouco presentes nas áreas científicas e tecnológicas, o que reforça a necessidade de iniciativas para ampliar a sua participação.
A filial guineense da Orange anunciou o lançamento da edição 2026 do seu programa «Hello Women», uma iniciativa destinada a incentivar jovens e mulheres a direcionarem-se para carreiras científicas, técnicas e digitais. O programa, apresentado na segunda-feira, 9 de março, visa reforçar o acesso das guineenses às competências digitais e promover a sua integração num setor ainda amplamente dominado por homens.
O programa prevê várias atividades, incluindo sessões de sensibilização sobre carreiras tecnológicas, encontros com profissionais do setor, bem como visitas a instalações técnicas da empresa. As participantes poderão também frequentar formações curtas no Orange Digital Center, abrangendo áreas como desenvolvimento de software, cloud computing, cibersegurança e análise de dados. A iniciativa inclui ainda a organização de um hackathon dedicado às mulheres, com o objetivo de estimular a inovação em torno de soluções tecnológicas para desafios locais.
Segundo Ousmane Boly Traoré, diretor-geral da Orange Guiné, o programa pretende acompanhar as mulheres em diferentes fases do seu percurso, quer seja para descobrir as profissões digitais, reconverter-se para áreas técnicas ou obter uma primeira experiência profissional. A empresa afirma querer contribuir para ampliar a participação feminina nos setores científicos e tecnológicos, onde continuam sub-representadas.
Esta iniciativa surge num contexto em que a presença das mulheres nas profissões digitais permanece limitada em África. Segundo a UNESCO, as mulheres representam cerca de 30 % dos investigadores científicos no continente, mas a sua presença nas áreas relacionadas com as tecnologias de informação é ainda menor. Em algumas regiões da África Ocidental e Central, constituem menos de 15 % dos investigadores em engenharia e tecnologias, limitando a sua participação na economia digital.
As empresas tecnológicas e operadores de telecomunicações multiplicam, assim, iniciativas para reduzir esta disparidade. No grupo Orange, as mulheres representam cerca de 25,4 % dos colaboradores em funções técnicas e digitais. Ao apoiar programas de formação e acompanhamento como o «Hello Women», a operadora pretende contribuir para ampliar o conjunto de talentos femininos e promover maior diversidade nas profissões tecnológicas.
Para além das questões de igualdade, a inclusão das mulheres nas áreas científicas e tecnológicas é também considerada um motor de desenvolvimento económico. A transformação digital do continente cria uma procura crescente de competências em áreas como cibersegurança, inteligência artificial e análise de dados. Segundo o Banco Mundial, a África subsaariana poderá gerar até 230 milhões de empregos ligados ao digital até 2030, devido à rápida expansão dos serviços digitais, reforçando a necessidade de formar mais talentos, incluindo femininos.
Samira Njoya













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