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Qualidade educativa: a Costa do Marfim e a República Centro-Africana reforçam a sua cooperação

Qualidade educativa: a Costa do Marfim e a República Centro-Africana reforçam a sua cooperação
Segunda-feira, 22 de Junho de 2026

Perante trajetórias educativas muito desiguais entre os países africanos, a partilha de conhecimentos entre parceiros africanos afirma-se como uma alavanca estratégica para reduzir as diferenças de competências e acelerar as reformas estruturais do setor.

Os Estados africanos estão a multiplicar as parcerias Sul-Sul para reduzir as desigualdades educativas. A Costa do Marfim e a República Centro-Africana ilustraram recentemente esta dinâmica com a assinatura de um acordo-quadro na sexta-feira, 19 de junho, em Abidjan. As duas partes foram representadas pelo ministro marfinense da Educação, N’Guessan Koffi (foto, à esquerda), e pelo seu homólogo centro-africano, Aurélien-Simplice Kongbelet-Zingas (foto, à direita).

Nove áreas para um roteiro comum

Segundo o comunicado divulgado pelo Governo marfinense, o acordo define nove áreas prioritárias de ação conjunta. O documento abrange a formação de formadores, a engenharia pedagógica e o ensino digital. Inclui igualmente o planeamento escolar e o bem-estar dos alunos. A cooperação institucional entre os dois ministérios deverá também ser reforçada. A inspeção, a garantia da qualidade e a avaliação das aprendizagens completam este dispositivo, juntamente com o envolvimento comunitário.

O ministro marfinense explicou o espírito desta nova etapa. «A cooperação que iniciamos hoje com a República Centro-Africana deve ser entendida como uma cooperação equilibrada, fraterna, pragmática e orientada para resultados», declarou. Defendeu a criação de um plano de ação específico e realista. Entre as prioridades anunciadas estão a troca de especialistas e o apoio à formação de formadores. Está igualmente prevista a partilha de ferramentas de planeamento e o reforço da avaliação das aprendizagens.

Duas trajetórias educativas contrastantes

O contraste entre os dois países é evidente. Na República Centro-Africana, cerca de 837 mil jovens entre os 3 e os 17 anos não têm acesso a uma escolarização adequada, segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Apenas 27% concluem o ensino primário, contra 12% no ensino secundário. Este défice deve-se, em parte, à escassez de professores formados, segundo a agência da ONU. Soma-se ainda uma forte concentração das infraestruturas educativas em Bangui, confirmada por um estudo da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

Um relatório da Parceria Global para a Educação (GPE), publicado em março de 2025, apresenta outro sinal preocupante. O documento revela que 39% dos alunos abandonam a escola antes de concluírem o primeiro ciclo, sendo a taxa de abandono de 54% entre as raparigas contra 33% entre os rapazes. Mais preocupante ainda, apenas 4,7% das crianças dos 7 aos 14 anos dominam as competências básicas de leitura. Um programa de apoio financiado pela GPE tenta travar esta tendência e já apoia 119 mil alunos distribuídos por 480 escolas públicas.

Em sentido oposto, a dinâmica da Costa do Marfim é bastante diferente. O Governo inaugurou, em dezembro de 2025, o liceu técnico e profissional de Ebimpé, o maior estabelecimento deste tipo no país. A rede está a crescer rapidamente, com 46 liceus profissionais e 14 colégios especializados, segundo o ministério responsável. O Estado forma, em média, 454 alunos por cada 100 mil habitantes, de acordo com dados oficiais.

Este crescimento também se traduz na promoção da excelência. A quinta edição do WorldSkills Côte d’Ivoire reuniu quinze centros de formação em 2025. A iniciativa Académie des talents pretende alcançar uma taxa de inserção profissional de 80% até 2030. Os efetivos aumentaram 6,7% por ano entre 2014 e 2022. É precisamente esta experiência que despertou o interesse do ministro centro-africano, que destacou esta dinâmica e manifestou interesse por várias áreas de formação.

Resta saber se este interesse resultará em programas concretos de formação. Refrigeração, climatização, manutenção industrial e eletromecânica estão entre os setores mencionados. Kongbelet-Zingas deu, contudo, um primeiro passo ao convidar o seu homólogo marfinense para a avaliação intermédia do Plano Setorial da Educação, que terá lugar em Bangui, de 29 a 31 de julho de 2026.

Félicien Houindo Lokossou

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