Perante um mercado de trabalho saturado e às dificuldades persistentes de emprego, o Mali procura reforçar a autonomia económica dos jovens e estimular o empreendedorismo através de mecanismos de formação, financiamento e inserção em áreas rurais.
No Mali, o governo deu um passo decisivo na implementação do projeto FIER 2 com a assinatura de 19 acordos de parceria na segunda-feira, 19 de janeiro. A cerimónia foi presidida por Drissa Guindo, Secretário-Geral do Ministério do Empreendedorismo Nacional, do Emprego e da Formação Profissional, em representação da Ministra Oumou Sall Seck. Estes acordos, conduzidos em parceria com o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), visam estruturar a cooperação com os parceiros de execução e consolidar o início concreto do projeto.
Com um montante global superior a 25 mil milhões de francos CFA (≈ 44,8 milhões USD), estes acordos marcam o lançamento efetivo da implementação do programa. Segundo o ministério, inserem-se na continuidade das políticas nacionais de emprego e formação profissional, bem como na nova Estratégia Nacional de Empreendedorismo. O objetivo é facilitar a orientação, formação e financiamento de projetos económicos liderados por jovens rurais. Lançado em Sikasso em março de 2024, com apoio técnico e financeiro do FIDA, o projeto FIER 2 estende-se agora a todas as regiões rurais, com especial atenção às jovens mulheres (40% dos beneficiários).
O programa intervém num contexto marcado por forte pressão sobre o mercado de trabalho rural, onde o emprego continua maioritariamente precário e informal. O FIER 2 prevê a formação técnica e empresarial de 15.000 jovens, a criação de um mecanismo de financiamento sustentável, o apoio a 14.000 projetos económicos e a construção de infraestruturas agrícolas e artesanais nos territórios abrangidos. Para as autoridades, este quadro de colaboração deve favorecer uma inserção duradoura dos jovens na economia local.
Esta iniciativa surge num momento em que o Mali continua a enfrentar desafios estruturais de emprego e desequilíbrios persistentes entre zonas urbanas e rurais. Dados do Banco Mundial em 2024 indicam uma taxa oficial de desemprego em torno de 3%, um valor que, no entanto, oculta uma realidade marcada pelo subemprego e pela predominância do setor informal. Quase 70% da população ativa maliana trabalha na agricultura e em atividades rurais de baixa produtividade, enquanto os jovens e as mulheres enfrentam obstáculos acrescidos à inserção económica. Segundo a instituição, o forte crescimento demográfico continua a aumentar a pressão sobre o mercado de trabalho, reforçando a necessidade de programas direcionados para o emprego rural e o empreendedorismo.
Félicien Houindo Lokossou













Marrakech. Maroc