Enquanto o ensino secundário público da Costa do Marfim enfrenta uma escassez de professores de matemática e de físico-química, e as áreas científicas têm dificuldade em atrair os finalistas do ensino secundário, Abidjan dá um passo decisivo face a uma urgência educativa que fragiliza milhares de alunos.
No domingo, 22 de março, realizou-se a fase escrita do concurso extraordinário para o recrutamento de 2000 professores contratados para colégios e liceus do ensino secundário geral na Costa do Marfim. Este evento, organizado no Lycée Classique de Abidjan, marca o início de uma resposta concreta à falta de professores de ciências que há vários anos fragiliza o sistema educativo ivoirense.
Dos 43 761 candidatos inscritos, apenas 7668 foram pré-selecionados para concorrer às vagas disponíveis. As provas, oficialmente lançadas pelo ministro da Educação Nacional, da Alfabetização e do Ensino Técnico, Koffi N’Guessan, incidem sobre francês, matemática e física.
No início da cerimónia, o ministro fez questão de saudar a decisão política que tornou possível a operação. «Gostaria de expressar toda a minha gratidão a Sua Excelência o Presidente da República, Alassane Ouattara. O Governo autorizou esta operação», declarou, acrescentando que este recrutamento permitirá «resolver um problema sério».
A escassez não é recente. No terreno, os seus efeitos fazem-se sentir cada vez mais. No liceu moderno de Bocanda, por exemplo, o diretor Doulaye Silué alertava já em setembro de 2025 que 68 turmas corriam o risco de perder 178 horas semanais de aulas devido à falta de professores de ciências. O diretor do colégio moderno de Téhini, Yao Dodo Alexis, lamentava no mesmo período que, dos 23 professores esperados, apenas 15 tinham assumido funções, deixando turmas do 9.º ano sem professor de físico-química e turmas do último ano sem professor de matemática.
Estes casos ilustram um défice que o governo estima em 1453 vagas de professores de matemática apenas para colégios e liceus públicos no ano letivo 2025-2026. A situação ultrapassa as fronteiras da Costa do Marfim. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) estima que 90 % dos países da África subsaariana enfrentam graves escassezes de professores no ensino secundário e que seriam necessários mais 11,1 milhões de docentes na região para atingir os objetivos da Agenda 2030.
Félicien Houindo Lokossou












