Para melhorar a empregabilidade dos jovens, o Burundi aposta numa parceria com a Itália que combina o aprendizado da língua italiana e a formação profissional, com o objetivo de abrir oportunidades concretas no mercado de trabalho internacional.
A Embaixada do Burundi em Roma e a Universidade Auge de Roma decidiram colaborar para facilitar a formação profissional e a inserção dos jovens burundeses no mercado de trabalho italiano. Numa carta enviada na semana passada ao Ministro dos Negócios Estrangeiros, Integração Regional e Cooperação para o Desenvolvimento do Burundi, o embaixador Ernest Ndabashinze (foto, à direita) esclareceu que o aprendizado do italiano é uma condição indispensável para acessar uma formação qualificada e um emprego na Itália.
O programa prevê cursos gratuitos de italiano online para preparar os candidatos antes da sua partida. As áreas cobrem diversos setores técnicos e de serviços, incluindo manutenção de veículos, condução de máquinas agrícolas, hotelaria, apoio a pessoas idosas, culinária, encanamento, construção e confeitaria. Ao chegarem na Itália, os beneficiários serão integrados em empresas parceiras e farão alguns cursos teóricos na universidade, enquanto o aprendizado prático ocorrerá diretamente nas empresas.
Esta iniciativa visa responder ao contexto de subemprego persistente. Segundo o Banco Africano de Desenvolvimento, mais da metade da força de trabalho do Burundi estava subempregada em 2024. O Banco Mundial acrescenta que cerca de 150.000 jovens entram anualmente no mercado de trabalho no Burundi. A instituição de Bretton Woods também destaca que a taxa de desemprego dos jovens de 15 a 24 anos foi de 1,62% em 2024, mas essa estatística esconde a precariedade de muitos empregos não qualificados e informais. Numa economia em que 14% dos jovens não estão nem trabalhando, nem em educação ou formação (NEET), o caminho para oportunidades internacionais aparece como uma resposta pragmática aos desafios persistentes do mercado de trabalho.
A colaboração com a Itália acontece num momento em que o Burundi está a multiplicar os programas de formação profissional para reforçar a empregabilidade, desde centros técnicos nacionais até projetos inovadores apoiados por parceiros internacionais. Desde 2021, o governo também implementa o Programa de Capacitação Econômica e Emprego para Jovens, com o objetivo de combater o desemprego, promovendo a inserção socioeconômica dos jovens burundeses.
Félicien Houindo Lokossou













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