Os sistemas digitais africanos continuam vulneráveis às ameaças cibernéticas, devido à falta de competências locais, num contexto de adoção acelerada de tecnologias digitais por administrações e empresas.
A África está a estruturar a sua resposta face à crescente ameaça cibernética e à escassez crítica de mão-de-obra qualificada. Nesse âmbito, a International Cybersecurity Community for Africa (ICCA), uma plataforma panafricana de cibersegurança, foi lançada na sexta-feira, 20 de março, em Kigali, no Ruanda. Este novo organismo visa reunir os especialistas do continente e reforçar as capacidades operacionais regionais.
O dispositivo posiciona-se como um quadro de cooperação dedicado à partilha de informações sobre riscos digitais, à aprendizagem e ao aperfeiçoamento de talentos. A sua implementação ocorre num momento em que os ataques informáticos se intensificam. Segundo os indicadores apresentados na inauguração, as organizações africanas sofrem, em média, cerca de 1 848 ataques semanais.
Para responder a esta pressão, a ICCA ambiciona formar um milhão de especialistas até 2030, um desafio considerável, dado que o continente conta atualmente com apenas 300 000 profissionais, enquanto a procura continua a crescer.
Para apoiar este objetivo, foram apresentados dois instrumentos tecnológicos. O primeiro, Umurinzi Cyber Threat Intelligence, permite identificar credenciais comprometidas na dark web e alertar as entidades visadas. O segundo é um sistema de formação prática do tipo Capture the Flag (CTF), que oferece simulações de ataques para reforçar a experiência técnica, a custos controlados e num ambiente adaptado às realidades locais.
Apoiada pelas autoridades ruandesas e por parceiros internacionais, esta iniciativa integra-se numa estratégia global de valorização do capital humano e de proteção das infraestruturas críticas. Através deste projeto, os promotores pretendem fomentar a emergência de um ecossistema digital integrado, capaz de enfrentar os desafios da transição digital.
No seu plano de ação, a ICCA prevê expandir as suas atividades para cerca de quinze países até 2027 e implementar programas de certificação. A longo prazo, a instituição pretende lançar um índice africano de resiliência cibernética, de modo a medir o grau de preparação dos Estados face à cibercriminalidade.
Samira Njoya












