Enquanto muitos jovens ainda enfrentam dificuldades para conseguir emprego devido à falta de uma formação adequada, as autoridades da Costa do Marfim multiplicam os esforços para reforçar a cooperação educativa internacional.
O governo costa-marfinense procura melhorar a qualidade do seu sistema educativo através da cooperação internacional. Foi nesse espírito que o ministro da Educação Nacional, N’Guessan Koffi, recebeu em audiência, na quarta-feira, 22 de abril, a embaixadora da Turquia, Deniz Erdogan Barim. Segundo o comunicado oficial, as discussões resultaram em dois eixos prioritários, nomeadamente o reforço das competências dos professores.
O ministério descreve a formação de formadores como «uma alavanca essencial para melhorar de forma duradoura a qualidade do ensino». Ambas as partes manifestaram a vontade de construir «uma parceria estruturante, capaz de responder aos desafios atuais do sistema educativo». O calendário, o financiamento e o volume destas ações ainda não foram definidos.
Um setor em crescimento, mas formadores sob pressão
Os progressos do ensino técnico na Costa do Marfim são reais, mas o caminho ainda é longo. O número de alunos passou de 46 495 em 2011 para 173 062 em 2024, ou seja, um aumento de 3,72 vezes, segundo o Ministério do Ensino Técnico. A participação do setor no ensino secundário total subiu de 3,96% para 6,20% no mesmo período. A rede de estabelecimentos cobre agora todo o território, com mais de 500 estruturas públicas e privadas, contra menos de 150 em 2011.
No que diz respeito à inserção profissional, a evolução é positiva, mas ainda insuficiente. A taxa de inserção dos diplomados passou de 14% em 2017 para 36,5% em 2023. O Estado pretende elevá-la para 80% até 2030, ao mesmo tempo que aumenta a participação do ensino técnico no secundário para 15%. Em julho de 2025, dos 123 estabelecimentos avaliados segundo o referencial nacional de acreditação, apenas 82 atingiram o nível 1 de conformidade, segundo dados oficiais.
A aprendizagem também está a avançar. O programa Escola da Segunda Oportunidade beneficiou 84 366 jovens que abandonaram a escola até ao final de 2024. No mesmo período, 65 848 aprendizes foram formados, dos quais 45 671 no sistema moderno e 20 177 no sistema tradicional. Cerca de 4 000 mestres de aprendizagem foram formados e 2 700 trabalhadores beneficiaram da validação de competências adquiridas, dos quais 500 já certificados.
No entanto, a formação de formadores continua a ser o ponto fraco do sistema. Em 2024, apenas 784 membros do pessoal administrativo e pedagógico foram formados, incluindo 319 no estrangeiro, dos quais 198 na China, no âmbito dos sete centros de formação realizados pela empresa AVIC (Aviation Industry Corporation of China). O setor conta ainda com 565 estruturas privadas autorizadas, uma rede em expansão que aumenta a pressão sobre a disponibilidade de formadores qualificados. Com a abertura de dez novos estabelecimentos em 2025, o governo espera multiplicar por cinco a capacidade de acolhimento pública. Sem formadores qualificados, este progresso corre o risco de permanecer apenas no papel.
Ancara, um parceiro com ativos comprovados
É precisamente aqui que o reforço da cooperação bilateral com a Turquia ganha relevância. A Fundação Maarif gere mais de 230 instituições em 27 países africanos, formando mais de 50 000 estudantes em diferentes áreas. A Agência Turca de Cooperação e Coordenação (TIKA) opera através de 22 escritórios no continente e intervém em setores como saúde, agricultura e formação profissional.
O Ministério da Educação da Turquia desenvolve igualmente iniciativas específicas no ensino profissional e na formação pedagógica dirigidas a países parceiros africanos. No final de 2024, pelo menos 62 000 estudantes africanos estudavam na Turquia, sobretudo graças a bolsas governamentais. Ancara dispõe assim de uma experiência consolidada em formação pedagógica e ensino técnico, dois eixos estratégicos para a economia costa-marfinense.
Félicien Houindo Lokossou













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