Face ao elevado desemprego juvenil e à aceleração da transformação digital, a África do Sul está a multiplicar parcerias para adaptar os seus sistemas educativos e alinhar a formação às necessidades do mercado de trabalho.
O governo sul-africano prepara-se para assinar um acordo com a Google para reforçar as competências digitais e em inteligência artificial da sua juventude. Segundo um comunicado do Ministério do Ensino Superior e Formação (DHET) de terça-feira, 24 de março, a iniciativa prevê a concessão de 5.000 bolsas de certificação Google aos candidatos mais meritórios.
Estas bolsas destinam-se a estudantes, docentes e funcionários das universidades públicas, das instituições de ensino técnico e profissional (TVET) e dos colégios de educação e formação comunitária (CET), com especial atenção às comunidades rurais e periurbanas, muitas vezes menos abrangidas pelas formações tecnológicas.
A assinatura do acordo, que marcará o lançamento oficial do programa, está prevista para 30 de março de 2026, nos escritórios da Google em Joanesburgo, Bryanston, sob supervisão da vice-ministra do Ensino Superior e Formação, Mimmy Gondwe.
O acordo assenta em vários pilares. O ministério indica que o gigante americano do digital disponibilizará programas de formação em inteligência artificial para os docentes. Este modelo de formação de formadores permite uma difusão mais ampla e sustentável das competências digitais nas instituições.
Serão oferecidas certificações profissionais reconhecidas em áreas de grande procura no mercado de trabalho, como cibersegurança, análise de dados e suporte informático. Estas certificações foram concebidas para serem imediatamente aplicáveis no percurso profissional dos beneficiários.
A parceria inclui também um componente tecnológico. A empresa americana fornecerá ferramentas digitais e reforçará as infraestruturas informáticas das instituições parceiras, criando um ambiente favorável à aquisição de competências digitais, muitas vezes difíceis de desenvolver em algumas instituições sul-africanas.
Uma iniciativa num contexto de fortes tensões no emprego juvenil
O país apresenta uma taxa nacional de desemprego elevada que mudou pouco nos últimos trimestres. No inquérito oficial do Statistics South Africa (Stats SA) referente ao primeiro trimestre de 2025, a taxa de desemprego atingiu 32,9 %.
A situação dos jovens é ainda mais crítica. Os indivíduos com idades entre 15 e 34 anos registaram uma taxa de desemprego de 46,1 % no primeiro trimestre de 2025, segundo o Stats SA. Apesar de a taxa global ter recuado ligeiramente para 31,4 % no quarto trimestre de 2025, o desemprego juvenil manteve-se elevado em 43,8 %.
O desfasamento entre oferta e procura de competências resulta de barreiras de acesso às tecnologias e às formações adequadas. Segundo o Digital Progress and Trends Report 2025 do Banco Mundial, a cobertura móvel está a melhorar, mas a utilização efetiva da Internet continua limitada pelo custo e pela falta de competências digitais.
O mesmo relatório destaca que persistem desigualdades entre zonas urbanas e rurais, entre países de rendimento elevado e intermédio, e entre diferentes categorias populacionais. Estes obstáculos explicam em parte porque os jovens das áreas menos equipadas têm mais dificuldades em adquirir competências digitais, mesmo quando as infraestruturas básicas estão disponíveis.
Félicien Houindo Lokossou













Bamako