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Olhar para o futuro foi uma decisão coletiva que os ruandeses tomaram após o Genocídio de 1994."

Olhar para o futuro foi uma decisão coletiva que os ruandeses tomaram após o Genocídio de 1994."
Segunda-feira, 27 de Outubro de 2025

Entrevista com a Dra. Doris Uwicyeza, CEO do Rwanda Governance Board (RGB)

Em 2025, o Ruanda mantém a sua primeira posição na África Oriental e continua entre os três primeiros no continente, segundo o Chandler Good Government Index. A Dra. Doris Uwicyeza fala sobre os pilares de um desempenho sustentável e as prioridades futuras.

O Ruanda mantém em 2025 a primeira posição na África Oriental e continua entre os três primeiros da África. Quais alavancas concretas explicam essa regularidade?

Essa regularidade se deve, primeiramente, a uma liderança forte e visionária, que soube consolidar a governança ruandesa a longo prazo, mantendo-se atenta ao seu contexto histórico. A estabilidade do país repousa sobre fundamentos sólidos: a unidade nacional e a segurança, protegidas por uma Constituição que proíbe qualquer forma de discriminação, e uma democracia consensual que privilegia o diálogo em vez da confrontação.

A participação cidadã também é central nesse modelo. Graças à descentralização, os ruandeses participam no planejamento e na implementação das políticas públicas. Iniciativas endógenas, baseadas na cultura e na experiência do país, ajudam a oferecer soluções adaptadas aos seus desafios. A inclusividade é outro pilar: a representação das mulheres, dos jovens e das pessoas com deficiência é garantida por lei. Por fim, a responsabilidade institucional, assegurada pelo Ombudsman, pelo Auditor Geral, pelo Senado e pelo RGB, juntamente com a digitalização dos serviços públicos, tem fortalecido a transparência, a boa gestão dos fundos públicos e a confiança entre o Estado e os cidadãos.

O país é o 4º no mundo em termos de visão de longo prazo e o 6º em adaptabilidade. Como essas vantagens se traduzem nas políticas públicas atuais?

Pensar no futuro é uma decisão coletiva que os ruandeses tomaram após o Genocídio de 1994. Desde então, nossa ação pública baseia-se em um planejamento rigoroso de médio e longo prazo. A Visão 2050 estabelece dois objetivos claros: alcançar a categoria de países de renda média-alta até 2035 e a de países de alta renda até 2050, com um PIB per capita de 12.476 USD.

Essas ambições integram os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e a Agenda 2063 da União Africana. A implementação é orientada por ciclos de cinco anos da Estratégia Nacional de Transformação, que permitem ajustes e avaliações dos progressos. A adaptabilidade do Ruanda se reflete na rápida integração de tecnologias emergentes, inovações em governança e na participação cidadã. O Rwanda Governance Scorecard, elaborado pelo RGB, realiza anualmente um acompanhamento objetivo e mensurável de nosso desempenho.

Os indicadores também destacam a estabilidade regulatória e a eficiência dos gastos públicos. Qual o impacto direto disso sobre o investimento e a confiança dos cidadãos?

A estabilidade macroeconômica e regulatória é condição essencial para a confiança, tanto dos investidores quanto dos cidadãos. O Ruanda baseia-se em uma gestão orçamentária rigorosa, fundamentada na transparência e no planejamento de longo prazo. O controle parlamentar, os quadros de despesas e de dívida de médio prazo garantem uma gestão responsável das finanças públicas.

Na área monetária, o Banco Nacional do Ruanda mantém a inflação próxima de 5% e assegura a estabilidade do sistema financeiro. Essa coerência fortalece a credibilidade do país e protege os investimentos. A digitalização dos serviços públicos, por sua vez, ajudou a reduzir a burocracia e a melhorar a eficiência da ação pública, traduzindo a boa governança em resultados tangíveis: infraestrutura, acesso à saúde, educação e proteção social.

Por outro lado, o relatório aponta fraquezas em comércio internacional, emprego e meio ambiente. Quais prioridades foram estabelecidas para superar essas lacunas?

Como um país sem acesso direto ao mar, o Ruanda enfrenta custos logísticos elevados, o que prejudica sua competitividade. O governo responde a esse desafio com a política Made in Rwanda, que incentiva a produção local e a substituição de importações, ao mesmo tempo em que investe em infraestrutura, zonas econômicas especiais e redes de transporte.

A integração regional também é uma prioridade: visa reduzir as barreiras tarifárias e não tarifárias dentro da região. No campo do emprego, o país escolheu investir na educação e na formação dos jovens para construir uma economia baseada no conhecimento. A Estratégia Nacional de Transformação 2024-2029 tem como meta a criação de pelo menos 200.000 empregos por ano, apoiada pelo Programa Nacional para o Emprego, que coordena as ações pública e privada nesta área.

Por fim, a política ambiental e climática do Ruanda, alinhada com a Visão 2050, a Agenda 2063 e os ODS, reflete o nosso compromisso em construir uma economia verde e resiliente. Seu sucesso depende da colaboração entre o governo, as empresas, a sociedade civil e as comunidades locais.

Finalmente, a reputação internacional do Ruanda continua sendo um desafio. Quais iniciativas estão em andamento para reforçar a influência e a imagem do país no exterior?

Nossa posição internacional está profundamente ligada à nossa história e à nossa visão de mundo. O Ruanda escolheu uma diplomacia baseada no respeito mútuo, na justiça e na coerência. Rejeitamos qualquer abordagem de dois pesos, duas medidas, na resolução das crises. Com base em sua experiência de reconstrução, o país se engaja ativamente na manutenção da paz, tanto sob a égide das Nações Unidas quanto por meio de cooperações bilaterais.

No continente, acreditamos em soluções africanas para problemas africanos. Essa convicção se reflete em nossa política de abertura de vistos e em nosso compromisso com a Zona de Livre Comércio Africana. Nossa reputação internacional também é sustentada pela constância de nossos valores: justiça, transparência, responsabilidade e contribuição para a estabilidade regional e mundial.

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