Face à crise dos preços nos mercados de fertilizantes, ligada à guerra no Irão, os países procuram alternativas. A Índia é o mais recente a voltar-se para África como fonte potencial.
Na Índia, vários países africanos estão entre as opções consideradas para diversificar as suas fontes de fornecimento de fertilizantes, ao lado da Rússia, Austrália, Malásia e Canadá. Foi o que indicou Aparna Sharma, secretária adjunta do Ministério de Produtos Químicos e Fertilizantes, numa conferência de imprensa realizada na segunda-feira, 30 de março.
Segundo os detalhes divulgados pela Reuters, entre as nações do continente envolvidas estão grandes produtores do Norte de África, como Marrocos, Argélia e Egito, bem como o Togo, cujos depósitos de fosfato oferecem um ambiente propício à fabricação de fertilizantes.
Com a crise no Médio Oriente, ligada à escalada militar entre o Irão, Israel e os Estados Unidos desde o final de fevereiro, o transporte de petróleo e fertilizantes através do Estreito de Ormuz foi perturbado, fragilizando o fornecimento para o país mais populoso do mundo, também segundo maior consumidor mundial de fertilizantes e pilar agrícola global.
Segundo a responsável, a região do Golfo fornecia antes da guerra cerca de 20 a 30% das importações indianas de ureia e 30% das de fosfato diamónico (DAP).
Além disso, num país que depende do Médio Oriente para aproximadamente 50% das suas importações de gás natural liquefeito (GNL), a indústria de fertilizantes sofre os efeitos do aumento dos preços do combustível.
Implicações globais
Segundo Sharma, o país asiático pretende aproveitar os meses de abril e maio para constituir os seus estoques de ureia, preparando-se para a época de cultivo de verão, que exigirá 39 milhões de toneladas de fertilizantes, das quais 18 milhões de toneladas já estão disponíveis em estoque.
Esta diversificação das fontes de fornecimento de fertilizantes da Índia, para além do Golfo, representa uma nova oportunidade comercial para os produtores africanos. Já a 17 de março, a Reuters relatava negociações entre os Estados Unidos e Marrocos para assegurar fornecimentos de fertilizantes.
Um estudo do gabinete Global Sovereign Advisory (GSA), publicado a 15 de março, indica que a exposição da Índia a uma subida prolongada dos preços dos fertilizantes pode ter consequências graves.
Segundo os autores, o arroz é de longe o cereal mais exposto, com a Índia a ser simultaneamente o maior exportador mundial e principal fornecedor para o continente africano, detendo cerca de 40% do mercado. O Paquistão e a Tailândia figuram também entre os grandes importadores de fertilizantes provenientes do Golfo.
«A Índia e o Paquistão iniciarão as sementeiras entre o final de maio e início de junho, com a chegada da monção, e a aplicação de fertilizantes ocorrerá em duas fases, no final de junho e no final de agosto de 2026, sendo a colheita realizada no final de outubro e a chegada do arroz aos mercados em novembro de 2026. […] Ou seja, a disponibilidade e o preço dos fertilizantes entre junho e agosto terão impacto direto no preço do arroz que estará disponível a partir do final de 2026», destaca a nota.
Espoir Olodo













Marrakech. Maroc