O Gana é o 5.º maior produtor mundial de noz de karité, depois da Nigéria, do Mali, do Burkina Faso e do Benim. Tal como na maioria destes países, o governo aposta igualmente no reforço do segmento da transformação para captar maior valor acrescentado ao longo da cadeia.
No Gana, o governo prevê criar em Wa, na região do Upper West, um polo industrial dedicado à transformação do karité. O projeto, denominado Shea Park Resource Hub, foi oficialmente lançado a 31 de janeiro pelo Presidente John Dramani Mahama.
Concretamente, trata-se de construir um ecossistema agroindustrial destinado a modernizar toda a fileira. De acordo com um comunicado publicado no site do governo, este novo polo industrial irá acolher unidades modernas de transformação do karité para a produção cosmética, alimentar, nutracêutica e farmacêutica.
«Incluirá igualmente laboratórios de controlo de qualidade, centros de formação e de reforço de capacidades, infraestruturas de armazenamento, logística e entrepostos, acesso direto ao mercado, soluções de energia solar, unidades de tratamento e reciclagem de água, incubadoras de empresas, cooperativas, bem como facilidades de exportação», declarou o Presidente Mahama.
Embora os detalhes sobre o financiamento dos diferentes projetos industriais ainda não sejam conhecidos, as autoridades estimam que, em plena maturidade, o ecossistema permitirá empoderar mais de 7 000 mulheres no Upper West e criar milhares de empregos para os jovens.
Uma fileira em plena transformação
O lançamento deste novo projeto insere-se num contexto em que a fileira do karité está a conhecer uma nova viragem. Desde 2025, Acra afirma a sua vontade de criar mais valor acrescentado nesta cadeia, apostando na transformação.
Foi assim que o governo anunciou, a 9 de julho passado, a intenção de suspender a exportação de noz de karité em estado bruto a partir de 2026. Esta política visa, nomeadamente, assegurar a disponibilidade suficiente da matéria-prima para incentivar a transformação local e criar um ambiente favorável à atração de investimentos.
Na mesma linha, o Ministério da Agricultura anunciou, a 22 de julho de 2025, a intenção do governo de desbloquear 4 milhões de euros (4,6 milhões de dólares), com o apoio do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), para relançar as atividades da empresa pública PBC Shea Limited.
Considerada um dos maiores transformadores de oleaginosas do país, com uma capacidade de processamento de 150 000 toneladas de noz de karité por ano, a empresa encontrava-se parada desde 2019. Segundo informações divulgadas pelos meios de comunicação locais, a PBC Shea Limited retomou as suas atividades em setembro passado, alguns meses após o anúncio do apoio financeiro do BAD.
Neste contexto, o projeto do polo industrial dedicado à transformação do karité anunciado em Wa, caso se concretize, permitirá reforçar a capacidade da indústria local, complementando os esforços já realizados para consolidar a base agroindustrial do país. Resta saber de que forma este novo projeto poderá dinamizar a fileira.
De acordo com a Bolsa de Matérias-Primas do Gana (GCX), a noz de karité representa cerca de 75 % das vendas da fileira, contra apenas 18 % para a manteiga produzida localmente e 5 % para o óleo de karité, o que evidencia o potencial de criação de valor acrescentado. Segundo dados compilados pelo Serviço Nacional de Estatística (GSS), o óleo de karité gerou 1,93 mil milhões de cedis (175,9 milhões de dólares) em receitas de exportação em 2024, contra 1,03 mil milhões de cedis (93,8 milhões de dólares) para a noz de karité.
Stéphanas Assocle













Marrakech. Maroc