A Tanzânia é o 4.º maior produtor africano de arroz branqueado, depois da Nigéria, do Egito e de Madagáscar. Autossuficiente há vários anos, o país, que acolhe novos projetos industriais no setor, poderá reforçar a sua posição nas exportações.
Na Tanzânia, uma nova unidade de moagem de arroz acaba de entrar na fase de produção. O anúncio foi feito num comunicado publicado a 31 de janeiro no site da Autoridade dos Investimentos e das Zonas Económicas Especiais do país (TISEZA).
Com um custo total estimado em mais de 100 mil milhões de xelins (39,56 milhões de dólares), a unidade, implantada num terreno de 54 hectares no distrito de Kahama, é uma iniciativa da empresa local KOM Food Products Ltd. Embora a capacidade de transformação não tenha sido especificada, a TISEZA indica tratar-se de um dos maiores projetos agroindustriais locais do país. Para o seu abastecimento em matéria-prima, a rizeria contará principalmente com uma rede de produtores locais situada na região de Shinyanga.
«Para além da produção industrial, o projeto deverá reforçar as cadeias de valor agrícolas na região de Shinyanga, ao oferecer um escoamento estável para o arroz em casca produzido pelos pequenos agricultores. O investimento insere-se na estratégia nacional que visa desenvolver a transformação agroalimentar, reforçar a segurança alimentar e captar mais valor acrescentado no país, internalizando um maior número de etapas da cadeia, desde a produção agrícola até à transformação e ao acondicionamento», sublinha o comunicado.
Ambições declaradas no segmento das exportações
A Tanzânia é autossuficiente em arroz branqueado há vários anos e exporta o excedente da sua produção para a sub-região da África Oriental. Dados compilados pelo Ministério da Agricultura mostram, por exemplo, que a produção local atingiu uma média de 2,43 milhões de toneladas por ano entre as campanhas de 2019/2020 e 2023/2024.
No mesmo período, as necessidades do mercado interno foram estimadas em cerca de 1,2 milhão de toneladas por ano. Neste contexto, a entrada em funcionamento da nova rizeria de Kahama deverá permitir aumentar a capacidade de produção da indústria local e elevar o excedente exportável.
«A KOM Food Products indicou prever uma subida gradual da produção para responder à crescente procura interna e explorar os mercados regionais da África Oriental e Austral», refere a TISEZA.
Importa salientar que as exportações tanzanianas de arroz branqueado têm sido irregulares nos últimos anos. Segundo dados compilados na plataforma Trade Map, o país da África Oriental exportou, em média, cerca de 387 066 toneladas de arroz branqueado por ano entre 2020 e 2024, com um pico de 622 422 toneladas registado em 2022. No mesmo período, as receitas geradas por estas exportações ascenderam a cerca de 191 milhões de dólares por ano. Entre os principais destinos contam-se, nomeadamente, o Uganda, o Quénia, o Ruanda e a RDC.
A ambição manifestada pela KOM Food Products de exportar, a prazo, uma parte da sua produção para os mercados regionais deverá permitir à indústria tanzaniana conquistar uma maior quota no mercado do arroz da África Oriental. Dados compilados na plataforma Trade Map mostram que o conjunto dos países da Comunidade da África Oriental (CAE) importou cerca de 2,6 milhões de toneladas em 2024, num valor estimado de aproximadamente 1,14 mil milhões de dólares.
Stéphanas Assocle












