No Quénia, o setor agrícola contribui com 22,5% para o PIB e emprega cerca de 46% da população ativa. Numa altura em que a agricultura continua maioritariamente dependente das chuvas, o governo aposta na expansão da irrigação para melhorar a resiliência climática e a produtividade do setor.
O Governo do Quénia lançou, a 26 de fevereiro, as obras do projeto de irrigação de Kobong’o, no condado de Kisumu. Com um custo total de 650 milhões de xelins (5 milhões de dólares), financiados pela Hungria, o projeto prevê a modernização e a expansão do perímetro irrigado de Ahero, dedicado principalmente à rizicultura.
Segundo informações divulgadas pelo meio de comunicação local The Star, o projeto, implementado pela Autoridade Nacional de Irrigação (NIA), permitirá converter a estação de bombagem de Ahero num sistema híbrido alimentado por uma central solar de 500 quilowatts, que abrangerá mais 400 hectares. Com uma duração prevista de 26 meses, o projeto deverá estar concluído em fevereiro de 2027.
«Deverá criar 5 000 empregos diretos e 10 000 empregos indiretos e gerar cerca de 250 milhões de xelins [1,9 milhões de dólares] por ano quando estiver plenamente operacional. Estes impactos económicos enquadram-se na Bottom-Up Economic Transformation Agenda (BETA), a estratégia governamental destinada a reforçar a produtividade agrícola, reduzir as importações alimentares e apoiar os rendimentos rurais», declarou Eric Mugaa, ministro da Água, Saneamento e Irrigação.
Um impulso para reforçar a produção de arroz
No Quénia, o perímetro irrigado de Ahero é o segundo maior polo de produção de arroz depois de Mwea. Segundo dados compilados pelo Gabinete Nacional de Estatística (KNBS), este local produziu 32 768 toneladas de arroz paddy em 2023/2024, o que representa cerca de 11% da produção nacional, estimada em 293 627 toneladas nessa campanha.
Neste contexto, o novo projeto de expansão deverá, quando estiver operacional, contribuir para melhorar a oferta em Ahero e apoiar a dinâmica de crescimento da produção de arroz no país.
Importa salientar que a colheita de paddy no Quénia aumentou 51% em cinco anos, passando de 192 473 toneladas em 2020 para 290 447 toneladas em 2024, segundo estimativas oficiais do KNBS. Contudo, este nível de produção continua a ser largamente insuficiente face à procura no mercado interno.
De acordo com dados compilados na plataforma Trade Map, o Quénia importou 897 977 toneladas de arroz branqueado, num valor estimado em cerca de 504,8 milhões de dólares, o que faz do país o maior importador desta cereal na África Oriental.
De forma mais ampla, este novo investimento com o apoio da Hungria confirma a vontade do governo de desenvolver a agricultura irrigada para além da rizicultura. No seu discurso sobre o Estado da Nação, proferido a 20 de novembro de 2025, o presidente William Ruto manifestou a ambição de aumentar para cerca de 1 milhão de hectares as áreas agrícolas irrigadas entre 2030 e 2032.
Em comparação, a FAO estimava em apenas 288 000 hectares a área agrícola total equipada para irrigação no país em 2023. Segundo o Ministério da Água e da Irrigação, foram identificados locais prioritários para acolher novos projetos de irrigação nos próximos anos nos condados de Mandera, Machakos, Kisumu, Laikipia e Turkana.
Stéphanas Assocle













Marrakech. Maroc