Em Marrocos, o setor agrícola contribui com cerca de 10 % do PIB. A seca que afetou o país nos últimos anos prejudicou o desempenho de fileiras estratégicas para a segurança alimentar, como a cerealífera e a pecuária, obrigando o país a aumentar a sua dependência das importações.
Em 2025, a fatura total das despesas realizadas com a compra de produtos alimentares em Marrocos atingiu 94,6 mil milhões de dirhams (10,3 mil milhões de dólares). É o que indica o Gabinete Marroquino de Câmbios no seu relatório mensal de dezembro de 2025 sobre o comércio externo.
O montante anunciado representa um aumento de 3,3 % face ao registado um ano antes. Entre os principais itens de despesa destacam-se o trigo, o açúcar, o milho e os animais vivos. Em conjunto, estas quatro categorias de produtos representaram cerca de 42 % da fatura das importações alimentares de 2025, ou seja, 39,7 mil milhões de dirhams (4,34 mil milhões de dólares).
Animais vivos, motor do crescimento das importações
Os dados compilados pelo Gabinete Marroquino de Câmbios mostram que as importações de animais vivos aumentaram 25 % em termos homólogos, atingindo 6,97 mil milhões de dirhams (762,7 milhões de dólares), o que faz desta categoria a que registou o crescimento mais elevado entre as quatro principais.
Importa salientar que o contexto marroquino favoreceu particularmente as importações de gado. No âmbito da Lei das Finanças de 2025, o governo introduziu a suspensão dos direitos aduaneiros e do IVA aplicados às importações de bovinos, ovinos, caprinos e camélidos entre 1 de janeiro e 31 de dezembro de 2025.
Segundo informações divulgadas pelos meios de comunicação locais, o contingente para as importações de bovinos foi mesmo duplicado, passando para 300 000 cabeças em agosto passado. O objetivo era assegurar um abastecimento normal do mercado em animais domésticos e carnes frescas, bem como apoiar a reconstituição do efetivo pecuário nacional, fortemente afetado por um ciclo de seca que se prolongou ao longo dos últimos sete anos.
Os últimos recenseamentos realizados pelo Ministério da Agricultura em 2025 revelaram, aliás, que o país já perdeu 38 % do seu efetivo de bovinos e ovinos desde 2016.
Para além dos animais vivos, a fatura das importações de milho registou igualmente um crescimento homólogo de 18,5 %, enquanto o açúcar e o trigo viram o valor das suas importações diminuir 18 % e 5,8 %, respetivamente, no mesmo período.
No conjunto, as importações de produtos alimentares representaram 11,5 % da fatura total das importações marroquinas, que se situaram em 822,2 mil milhões de dirhams (89,9 mil milhões de dólares) em 2025.
Uma balança comercial agrícola deficitária
Importa ainda referir que Marrocos importou mais produtos alimentares do que aqueles que exportou em 2025. Segundo os dados compilados pelo Gabinete Marroquino de Câmbios, as receitas de exportação de produtos alimentares atingiram 86,8 mil milhões de dirhams (9,4 mil milhões de dólares), registando uma ligeira queda de 0,1 % em termos homólogos.
Assim, o país do Norte de África apresenta um défice comercial de 7,78 mil milhões de dirhams (850 milhões de dólares) no que respeita aos produtos alimentares. Por outro lado, as exportações desta categoria representaram cerca de 19 % das receitas totais de exportação de Marrocos, que ascenderam a 469 mil milhões de dirhams (51,2 mil milhões de dólares) em 2025.
Stéphanas Assocle













Marrakech. Maroc