A África Ocidental concentra mais de metade da oferta mundial de caju. Embora a maior parte da produção continue a ser exportada em estado bruto, as políticas implementadas por alguns países da região para mudar esta realidade começam já a dar resultados.
732 000 toneladas. É o stock de caju transformado em amêndoa em todos os países produtores da África Ocidental, segundo estimativas preliminares do serviço independente de consultoria comercial N’kalô, divulgadas num boletim sobre o mercado africano da matéria-prima publicado na terça-feira, 3 de fevereiro.
Este stock representa um aumento de 51% face ao registado um ano antes (483 500 toneladas). Um desempenho que, contudo, esconde grandes disparidades. Os dados compilados pela N’kalô mostram que apenas três países — nomeadamente Costa do Marfim, Benim e Gana — estão na origem deste crescimento, enquanto a transformação recuou ou estagnou noutros produtores.
Costa do Marfim e os outros
Em 2025, a indústria marfinense transformou 600 000 toneladas de caju, registando um crescimento de 67% em relação ao ano anterior. Este stock representa também cerca de 82% da produção total de amêndoa na África Ocidental.
Embora o relatório da N’kalô não detalhe os motivos deste desempenho, vários fatores permitem explicá-lo. Em 2025, os industriais marfinenses beneficiaram de maior disponibilidade de matéria-prima, apoiada, segundo o Conselho do Algodão, Caju e Karité, pelo reforço do combate ao contrabando.
A isso somou-se o anúncio pelos Estados Unidos de um aumento das taxas aduaneiras sobre produtos transformados, o que desestimulou o interesse de compradores asiáticos, nomeadamente da Índia e do Vietname, que se abastecem de caju bruto na Costa do Marfim. A redução da procura estrangeira por caju bruto diminuiu a competição local pelo acesso à matéria-prima.
O segundo maior contribuinte para o aumento da transformação de caju na África Ocidental, Benim, produziu 50 000 toneladas de amêndoa em 2025, segundo a N’kalô, ou seja, o dobro do ano anterior. Trata-se de um novo recorde, confirmando a ascensão da indústria beninense, cujo maior volume transformado nos últimos cinco anos havia sido de 13 000 toneladas em 2020.
É importante notar que, desde abril de 2024, o Benim proibiu a exportação da matéria-prima em estado bruto, visando torná-la disponível para transformação local e aumentar a criação de valor na cadeia. Uma posição mais radical em comparação com a política adotada em Abidjã, que institui períodos exclusivos para transformadores locais durante as campanhas de comercialização.
No segmento da transformação, o Gana transformou cerca de 15 000 toneladas de caju em 2025, um aumento de 7% em relação ao ano anterior. Este stock continua, porém, abaixo do pico de 16 000 toneladas registado nos últimos cinco anos. A indústria local enfrenta vários desafios, incluindo acesso limitado à matéria-prima, que é privilegiada para exportação em bruto, e uma regulação ainda pouco orientada para a transformação, ao contrário da Costa do Marfim e do Benim.
De forma geral, o aumento da transformação em 2025 deverá reforçar a criação de valor na cadeia de caju da África Ocidental. O desafio será manter esta trajetória nos próximos anos, apesar dos persistentes obstáculos identificados em cada país.
Stéphanas Assocle













Marrakech. Maroc