Na Nigéria, o setor de pecuária contribui com 35% para o PIB agrícola e ocupa um papel estratégico na economia rural. Em um contexto marcado pela persistência de doenças animais, as autoridades desejam modernizar os serviços veterinários e limitar os riscos sanitários.
Na Nigéria, um plano nacional de 10 anos para fortalecer a gestão da saúde animal e modernizar os serviços veterinários no período de 2026 a 2036 foi aprovado durante um workshop organizado pelo Ministério do Desenvolvimento da Pecuária, realizado de 28 a 30 de abril em Abuja.
De acordo com um comunicado publicado no site do ministério, este plano visa melhorar a vigilância das doenças animais, fortalecer as capacidades dos laboratórios veterinários, desenvolver sistemas de vacinação e modernizar os mecanismos de identificação e rastreabilidade do gado.
Como parte dessa estratégia, as partes interessadas adotaram várias resoluções sobre o fortalecimento das capacidades institucionais, a criação de mecanismos de financiamento sustentáveis e a melhoria dos sistemas de notificação de doenças. Também está prevista a elaboração de uma estratégia nacional coordenada de vacinação entre os estados, a expansão das parcerias público-privadas na cadeia de valor da pecuária, além da transformação digital e uma abordagem integrada das questões de saúde animal, humana e ambiental.
"Este plano fornece uma visão clara e prospectiva para construir um sistema veterinário moderno, resiliente e conforme com as normas internacionais, que apoia a produtividade da pecuária, protege a saúde pública e facilita o comércio seguro", afirmou Idi Mukhtar Maiha, Ministro do Desenvolvimento da Pecuária.
Esta medida ocorre em um momento em que a Nigéria enfrenta um aumento dos casos de febre carbúnculo (também conhecida como antraz) após mais de um ano sem grandes surtos. Trata-se de uma infecção bacteriana que afeta principalmente o gado (bovinos, ovelhas, cabras, cavalos).
Em 2 de abril, as autoridades nigerianas informaram à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) sobre o aparecimento de um novo surto da doença em uma criação doméstica no estado de Zamfara. Antes disso, a Nigéria não havia reportado um surto significativo de antraz desde janeiro de 2025.
Uma situação zoossanitária mais preocupante?
Além do antraz, que está atualmente no centro das atenções sanitárias no setor de pecuária na Nigéria, outras doenças animais continuam a representar uma ameaça significativa para o desenvolvimento do setor, com distribuição variada conforme as regiões e os sistemas de produção.
Em seu último relatório sobre o desempenho do setor agrícola, o Serviço Nacional de Extensão Agrícola e Ligação para Pesquisa (NAERLS) já traçava um quadro preocupante da situação sanitária do rebanho nacional em 2024. Segundo o documento, os bovinos continuam particularmente expostos à pneumonia contagiosa bovina (CBPP), febre aftosa (FMD) e tuberculose bovina, que foram relatadas em várias regiões do país.
Os pequenos ruminantes, como cabras e ovelhas, são fortemente afetados pela peste dos pequenos ruminantes (PPR), com surtos registrados nas regiões Centro-Norte, Nordeste e Noroeste.
Na avicultura, a doença de Newcastle (NCD) aparece como a patologia mais comum, relatada em praticamente todas as regiões do país em 2024. Os produtores também enfrentam episódios recorrentes de gripe aviária altamente patogênica (HPAI), cólera aviária, doença de Gumboro (IBD), tifo aviário e doenças respiratórias crônicas (CRD), dependendo da região.
A suinocultura também não está imune. O relatório do NAERLS mencionou também casos de peste suína africana (ASF), principalmente no Centro-Norte, enquanto diversas doenças parasitárias continuam a afetar os rebanhos no Nordeste.
Resta saber em que medida o novo plano anunciado será capaz de reduzir de forma sustentável a vulnerabilidade sanitária do rebanho nigeriano nos próximos anos.
Stéphanas Assocle













Londres - Royaume-Uni - Sommet réunissant l'écosystème tech africain et les investisseurs internationaux à Londres.