O Brasil é o maior produtor mundial de café. O país sul-americano desempenha um papel determinante na orientação do mercado, consoante a evolução das suas colheitas e exportações.
O ano de 2026 começa em baixa para o café arábica. Na terça-feira, 3 de fevereiro, a tonelada desta variedade atingiu 5 708 dólares no ICE de Nova Iorque, o valor mais baixo desde 23 de setembro último (5 704 dólares). Esta queda, que marca um mínimo de cerca de quatro meses, resulta principalmente das perspetivas de colheita abundante no Brasil, maior produtor mundial.
Segundo os dados mais recentes do Itaú BBA, o maior banco de investimento da América Latina, a colheita do país deverá situar-se em cerca de 69,3 milhões de sacas (1 saca = 60 kg) em 2026/2027, ou seja, 10,1 % acima do ano anterior.
Em detalhe, prevê-se que a oferta de arábica aumente 18 %, para 44,8 milhões de sacas, enquanto o volume de robusta deverá contrair-se ligeiramente 2 %, para 24,5 milhões de sacas.
Embora este volume seja significativo, outras empresas estimam que poderá ser ainda maior. O comerciante Sucden antecipa um total de 72,5 milhões de sacas, enquanto a consultora americana Cardiff Coffee Trading, citada pela Reuters, prevê uma colheita entre 70 e 75 milhões de sacas.
Estas diferentes previsões, mais ou menos otimistas, inserem-se num contexto em que se antecipa um excedente global durante a referida época. Segundo as últimas estimativas do grupo bancário neerlandês Rabobank, publicadas em novembro passado, o mercado do café poderá registar em 2026/2027 um excedente de 7 a 10 milhões de sacas, o que deverá pressionar ainda mais os preços este ano.
Em 2025, o mercado já teve um desempenho claramente inferior ao de 2024. O café arábica subiu 9 % depois de ter disparado 70 % em 2024, enquanto o café robusta perdeu 19 % depois de um aumento de 72 % um ano antes.
Espoir Olodo













Marrakech. Maroc